Embora o processo pareça simples, sua execução exige paciência e dedicação. Os caquis são descascados cuidadosamente para preservar as hastes, pendurados em varais e deixados para secar por semanas. Durante esse período, cada fruta precisa ser massageada manualmente diversas vezes para que a polpa fique mais macia e uniforme. O resultado é um doce natural que concentra os sabores da fruta e simboliza a passagem do tempo em cada etapa de sua produção.
O hoshigaki faz sucesso em várias partes do mundo. Em Buenos Aires, na Argentina, por exemplo, o chef Julio Martin Báez utiliza os caquis desidratados em pratos sazonais servidos no restaurante Julia. Já em São Paulo, a padaria Mirá realizou testes com a técnica para empregar o ingrediente na produção de panetones artesanais.
Apesar disso, no Brasil, a produção comercial de hoshigaki ainda é rara. Um dos exemplos mais conhecidos é o do Sítio Pedra Alta, em Piracaia, no interior de São Paulo. Os proprietários descobriram a técnica após adquirirem uma propriedade que já cultivava caquis e produzia a iguaria. Depois de perderem a primeira safra por falta de experiência, eles estudaram o método, contaram com a ajuda de antigos funcionários e até viajaram ao Japão para aprofundar os conhecimentos sobre o cultivo e a secag
O hoshigaki também é uma questão de identidade cultural e tem valor afetivo para muitas pessoas. É o caso da artista brasileira Kaori Nagata, que produz os próprios caquis desidratados como forma de preservar memórias familiares da avó materna.
Além disso, para ela, o processo envolve contemplação, paciência e cuidado. Ela até fez uma exposição realizada na Casa Osten, onde a secagem dos caquis chegou a integrar uma instalação artística que permitia ao público acompanhar a transformação da fruta ao longo dos dias.