O jornalista Pedro Bial abriu a noite com palavras sobre o homenageado, ao afirmar que 'a arte sobrevive aos artistas e é a melhor maneira de nos consolarmos depois que eles se vão'. Além disso, a homenagem também contou com depoimentos de Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, e de outras figuras da vida do cantor. No total, o público pôde acompanhar nove apresentações de clássicos de Cazuza, com interpretações de Seu Jorge, Ney Matogrosso, Chico Chico, Ludmilla, Lazzo Matumbi, BNegão, Luedji Luna, Man
Segundo os organizadores, a escolha de Cazuza como homenageado buscou destacar a atualidade de sua obra, que continua a influenciar artistas e a dialogar com diferentes gerações. O cantor, que morreu em 1990, permanece como uma das vozes mais marcantes da cultura brasileira, por meio de suas letras sobre amor, liberdade e política.
Conheça mais sobre a trajetória de Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza. Nascido no dia 4 de abril de 1958, no Rio de Janeiro, ele foi um cantor, compositor e poeta conhecido por sucessos como 'Exagerado', 'O Tempo Não Para' e 'Codinome Beija-Flor'. Com voz intensa e letras profundas, passou pelo Barão Vermelho e depois seguiu carreira solo. Assim, marcou a década de 1980 e deixou um legado eterno na música brasileira.
Filho do influente produtor musical João Araújo, fundador da Som Livre, e de Lucinha Araújo, Cazuza cresceu em um ambiente cercado de música. Desde cedo, teve contato com grandes nomes da MPB, como Caetano Veloso, Elis Regina, Gal Costa e João Gilberto. Ainda jovem, escreveu seus primeiros poemas. Foi aprovado no curso de Comunicação, mas abandonou a faculdade três semanas depois. Para que o filho tivesse uma ocupação, o pai criou um emprego para ele na gravadora Som Livre, onde Cazuza fez a tri
No final de 1979, foi para os Estados Unidos, onde fez um curso de fotografia na Universidade de Berkeley, em São Francisco. Em 1980, voltou ao Rio de Janeiro e ingressou no grupo teatral 'Asdrúbal Trouxe o Trombone', no Circo Voador. Foi nesse grupo que o cantor Léo Jaime o notou e o apresentou a uma banda de rock de garagem que precisava de um vocalista: o Barão Vermelho.
O primeiro álbum da banda, 'Barão Vermelho' foi lançado em 1982. No ano seguinte, o grupo lançou 'Barão Vermelho 2', que trouxe a música 'Pro Dia Nascer Feliz'. Foi com essa música, que em 1985, o Barão Vermelho fez uma apresentação histórica na primeira edição do Rock in Rio e Cazuza celebrou o fim da ditadura militar com ela.
Ainda em 1985, Cazuza deixou o Barão Vermelho para ter mais liberdade de composição e expressão, e decidiu seguir carreira solo. Em novembro daquele ano, lançou seu primeiro álbum solo intitulado 'Exagerado'. A faixa-título, composta em parceria com Leoni, se tornou um dos maiores sucessos e marca registrada de sua carreira. O álbum também trouxe o hit 'Codinome Beija-Flor'.
Em 1987, lançou 'Só Se For a Dois', com canções mais românticas, que teve como destaque 'O Nosso Amor A Gente Inventa'. Em 1988, chegou 'Ideologia', com sucessos como 'Faz Parte do Meu Show' e 'Brasil', que virou tema de novela na voz de Gal Costa.
A turnê de 'Ideologia', dirigida por Ney Matogrosso, virou programa especial da Globo e disco ao vivo. Lançado no início de 1989, 'Cazuza ao Vivo – O Tempo Não Para' chegou a 560 mil cópias vendidas e reuniu os maiores sucessos do artista, além de duas músicas novas: 'Vida Louca Vida' e 'O Tempo Não Para'.
Em 1989, Cazuza admitiu publicamente que era portador do vírus HIV, e lançou seu último disco em vida, 'Burguesia', um álbum duplo gravado com o cantor já bastante debilitado, sentado em uma cadeira de rodas. Sua iniciativa de revelar ser uma pessoa com AIDS ajudou a mudar a percepção pública sobre a prevenção e o tratamento da doença no Brasil.
Cazuza faleceu no dia 7 de julho de 1990, aos 32 anos. Após sua morte, sua mãe, Lucinha Araújo, fundou a Sociedade Viva Cazuza, uma ONG dedicada a apoiar crianças e adolescentes soropositivos. Em 2008, a revista Rolling Stone o incluiu na lista dos 100 Maiores Artistas da Música Brasileira, na 34ª posição. Sua trajetória também virou filme biográfico e série documental no Globoplay.