O tráfico de canários-da-terra é impulsionado por seu valor em rinhas e pelo apreço popular por seu canto, tornando-os alvo fácil de captura. Essa prática ilegal causa sofrimento aos animais e ameaça o equilíbrio ecológico, já que populações naturais são reduzidas drasticamente. As operações de fiscalização revelam a escala do problema, com centenas de aves apreendidas em diferentes regiões do Brasil todos os anos, evidenciando a persistência da atividade criminosa, que envolve redes organizadas
Em fevereiro de 2026, duas operações da Polícia Federal em Boa Vista, capital do estado de Roraima, resultaram no resgate de 440 canários-da-terra-verdadeiros. Os animais foram encaminhados ao CETAS do Ibama, onde passaram por triagem, cuidados técnicos e monitoramento clínico. Esse trabalho é fundamental para garantir que aves vítimas do tráfico tenham chance de recuperação e destino adequado, reforçando o papel das instituições na conservação da fauna e na cooperação internacional.
Durante a triagem, o Ibama identificou que os indivíduos pertenciam à subespécie Sicalis flaveola flaveola, também chamada de canário-coronado. Essa subespécie ocorre naturalmente ao norte do rio Orinoco, na Venezuela, e também em países como Colômbia, Guianas e Trinidad. A constatação reforçou que os animais apreendidos não eram nativos da Amazônia, o que exigiu ações específicas de conservação.
Quando há comprovação de origem estrangeira, o Ibama considera a repatriação como ação mais indicada para preservar os ecossistemas. Assim, após confirmar a procedência venezuelana, o órgão contatou autoridades ambientais do país para viabilizar o retorno das aves. Em abril, os canários foram transportados até Pacaraima, na fronteira, e oficialmente entregues ao seu habitat natural.
Apesar dos cuidados, a presença da subespécie em Boa Vista mostra como a intervenção humana pode introduzir animais exóticos em ambientes inadequados. O canário-coronado é considerado potencialmente invasor na Amazônia, já que pode competir com espécies locais e alterar o equilíbrio ecológico. Isso evidencia como o tráfico de fauna não afeta apenas os indivíduos, mas também os ecossistemas.