A espécie recebeu o nome científico de Paludocyon moyasolai e pertence ao grupo extinto dos anficiônidos, mamíferos carnívoros conhecidos popularmente como “cães-ursos”. Apesar da denominação, esses animais não têm relação direta com os cães ou ursos atuais, já que representam uma linhagem extinta que viveu durante o Cenozoico.
A identificação ocorreu graças ao estudo de um crânio parcialmente preservado, que manteve grande parte da dentição, além de um molar inferior isolado. A comparação desses fósseis com exemplares já conhecidos da Europa e da América do Norte revelou características anatômicas inéditas, suficientes para confirmar que a ciência estava diante de uma espécie nunca descrita.
Os dentes tiveram papel decisivo nessa conclusão, pois exibiam proporções diferentes das registradas em outros integrantes do gênero Paludocyon. Entre as particularidades estavam um segundo molar superior mais largo que o primeiro e um terceiro molar de tamanho incomum.
Na paleontologia, é comum que detalhes da dentição ajudem a compreender hábitos alimentares, adaptações e relações evolutivas entre espécies, o que fortaleceu a classificação do novo animal. Os pesquisadores acreditam que esse carnívoro tinha porte médio e apresentava maior agilidade do que outros representantes de sua família.
Sua estrutura dentária indica capacidade para consumir tanto carne quanto partes mais resistentes das presas. O ambiente onde viveu era muito diferente da paisagem atual da Catalunha, com lagos rasos, áreas pantanosas e vegetação abundante.
A região também abrigava pequenos herbívoros, felinos primitivos, mustelídeos, crocodilos de pequeno porte e diversos outros vertebrados. Esse conjunto de espécies formava um ecossistema rico e bastante diversificado.
O nome dado — Paludocyon — faz referência aos ambientes úmidos onde esse predador viveu, enquanto o termo moyasolai homenageia o paleontólogo catalão Salvador Moyà-Solà, famoso por seus estudos dos mamíferos fósseis e pelas primeiras escavações em Els Casots.
Para os cientistas, a descoberta amplia o conhecimento sobre a evolução dos mamíferos carnívoros e demonstra como os fósseis permitem reconstruir antigos ecossistemas, revelando espécies e paisagens que desapareceram milhões de anos antes do surgimento da humanidade.