Esse fenômeno, conhecido como 'coextinção', costuma passar despercebido porque envolve espécies pouco estudadas, como diversos parasitas. Um estudo publicado na revista 'Animal Conservation' chamou atenção para essa situação ao investigar a estreita relação entre morcegos brasileiros e as moscas ectoparasitas que vivem sobre eles.
Os pesquisadores avaliaram 182 espécies de morcegos e 106 espécies de moscas parasitas, ou seja, aquelas que se alimentam na superfície do corpo de outros animais. Entre os morcegos analisados, 66 registraram esse tipo de interação.
Como essas moscas dependem exclusivamente dos morcegos para sobreviver, muitas delas mantêm uma relação exclusiva com uma única espécie de mosca. Apesar dos dados, o estudo revelou que o conhecimento sobre essas interações ainda é limitado.
Para se ter uma ideia, apenas cerca de um terço das espécies de morcegos teve suas moscas parasitas devidamente catalogadas. Entre os casos conhecidos, quase dois terços das moscas e um terço dos morcegos apresentam vínculos exclusivos, o que aumenta a vulnerabilidade de ambos.
Os cientistas alertam que a extinção de determinadas espécies de morcegos pode provocar o desaparecimento de até cinco espécies de moscas associadas. A preocupação cresce porque parte desses morcegos já figura nas listas de animais ameaçados, o que coloca seus parasitas em risco ainda maior.
O fenômeno da coextinção evidencia que a biodiversidade funciona como uma rede de relações interligadas, muitas delas ainda pouco conhecidas pela ciência. O problema se torna ainda mais preocupante no Cerrado, onde 363 espécies da fauna já estão ameaçadas de extinção, segundo dados do ICMBio.
Além da destruição de habitats causada pela expansão agrícola, queimadas e fragmentação das áreas naturais, especialistas alertam que espécies e conexões ecológicas estão desaparecendo da natureza antes mesmo de serem descobertas e catalogadas pela ciência.