Economia

Lítio: o mineral estratégico que move a transição energética e desperta uma corrida mundial por reservas


Formada há cerca de 16,4 milhões de anos após uma grande erupção vulcânica, a caldeira McDermitt fica entre Nevada e Oregon, nos Estados Unidos. Estudos estimam que seus sedimentos possam conter de 20 milhões a 40 milhões de toneladas de lítio, uma das maiores concentrações conhecidas do planeta. O volume já foi avaliado teoricamente em cerca de US$ 1,5 trilhão, mas parte do metal pode não ser economicamente extraível.

Por Flipar
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Após a formação da caldeira, sedimentos finos acumularam-se no local e deram origem a argilas ricas em lítio. Em áreas como Thacker Pass, essas camadas alcançam dezenas de metros de espessura e ficam relativamente próximas da superfície. Essa característica pode facilitar a extração do mineral, embora não elimine os desafios ambientais e econômicos da exploração.

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Pesquisas identificaram concentrações excepcionalmente altas de lítio nas argilas de Thacker Pass. No mineral ilita, os teores variam de 1,3% a 2,4%, enquanto amostras da rocha inteira podem alcançar aproximadamente 1%. A descoberta é estratégica diante da demanda crescente por baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.

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Em 2023, um estudo financiado pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos estimou que a região do Salton Sea possa conter mais de 3,4 milhões de toneladas de lítio. Segundo a pesquisa, liderada pelo Lawrence Berkeley National Laboratory, o volume seria suficiente para produzir mais de 375 milhões de baterias para veículos elétricos.

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Estudos indicam que, se plenamente desenvolvido, o campo geotérmico do Salton Sea poderia fornecer cerca de 600 mil toneladas anuais de carbonato de lítio. O metal está dissolvido em salmouras subterrâneas de uma região situada entre os sistemas das falhas de San Andreas e Imperial. A intensa atividade tectônica e magmática local aquece essas águas e favorece a geração de energia geotérmica.

O atual lago Salton formou-se em 1905, quando cheias do Rio Colorado romperam estruturas de um canal de irrigação e desviaram a água para a bacia de Salton. O fluxo permaneceu fora de controle por cerca de 18 meses. Sem saída natural para o oceano, o lago acumulou sais, chegou a ocupar quase 970 km² e vem encolhendo nas últimas décadas.

O lítio tornou-se um mineral estratégico para a transição energética, principalmente por seu uso em baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia. Segundo a Agência Internacional de Energia, a demanda global pelo metal triplicou entre 2017 e 2022. O crescimento foi impulsionado sobretudo pela expansão das tecnologias de energia limpa.

Além das baterias de celulares, notebooks e veículos elétricos, o lítio é empregado na produção de graxas, lubrificantes, vidros e cerâmicas. Na medicina, alguns de seus compostos são usados como estabilizadores do humor, principalmente no tratamento do transtorno bipolar. Na natureza, o elemento ocorre em rochas, argilas e salmouras subterrâneas.

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O lítio pode ser obtido de minerais como espodumênio, lepidolita, petalita e ambligonita. Segundo o USGS, os recursos identificados mundialmente somavam cerca de 98 milhões de toneladas em 2023, distribuídos por aproximadamente 23 países. O termo correto é recursos, pois apenas uma parte desse volume é classificada como reserva economicamente explorável.

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América do Sul, Oceania e Ásia concentram grande parte das reservas mundiais de lítio. Segundo o USGS, em 2023 o Chile liderava com aproximadamente 36% do total, seguido pela Austrália. Boa parte do lítio chileno está nas salmouras do Salar de Atacama

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A Austrália aparecia em segundo lugar, com cerca de 23% das reservas mundiais de lítio, e abriga minas como Mount Marion e Mount Cattlin. No Brasil, as reservas comprovadas estavam concentradas em Minas Gerais, especialmente no Vale do Jequitinhonha e na região de São João del-Rei. Outros estados, como Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Bahia e Goiás, possuem ocorrências ou pesquisas em andamento.

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