A história remonta a outubro de 1717, quando o conde de Assumar, então governador da capitania de São Paulo e Minas Gerais, passaria pela região de Guaratinguetá. Segundo a tradição religiosa, três pescadores - João Alves, Domingos Garcia e Filipe Pedroso - receberam a missão de conseguir peixes para a alimentação da comitiva. Depois de várias tentativas sem sucesso, eles lançaram novamente suas redes nas águas do rio Paraíba do Sul. Foi nesse momento que encontraram uma imagem religiosa, inicia
A peça representava Nossa Senhora da Conceição, uma das invocações da Virgem Maria na tradição católica. De acordo com o relato preservado pela Igreja, depois de recolherem as duas partes da imagem, os pescadores conseguiram uma quantidade abundante de peixes. O episódio foi interpretado pelos devotos como um sinal extraordinário e contribuiu para o início da veneração. A imagem passou a ser chamada de Nossa Senhora Aparecida, em referência ao modo como surgiu nas águas do rio.
Inicialmente, a imagem permaneceu na casa de Filipe Pedroso, onde familiares e moradores da região se reuniam para rezar. A notícia sobre o episódio e os relatos de graças alcançadas fizeram a devoção se espalhar entre as comunidades vizinhas. Com o aumento do número de fiéis, foi necessário construir espaços maiores para acolher as orações e as visitas. A pequena devoção local transformou-se gradualmente em um centro de peregrinação, atraindo pessoas de diferentes partes do país.
A popularidade da santa cresceu durante o século 19, acompanhada pela construção de capelas e pelo aumento das romarias. Em 1884, a imagem recebeu uma coroa oferecida por ocasião de uma cerimônia religiosa, reforçando sua importância no catolicismo brasileiro. A expansão da devoção também levou a Igreja a reconhecer oficialmente o papel de Nossa Senhora Aparecida para os fiéis do país. Em 1930, o papa Pio XI (foto) assinou o decreto que a declarou padroeira principal do Brasil, atendendo a um pe
A proclamação oficial foi seguida por uma grande celebração pública no Rio de Janeiro, então capital federal, em 1931. A cerimônia reuniu autoridades religiosas, representantes do governo e uma multidão de devotos. A escolha da santa como padroeira consolidou uma devoção que já estava profundamente enraizada na cultura popular.
Com o crescimento das peregrinações, Aparecida, no interior paulista, tornou-se um dos principais destinos religiosos da América Latina. O Santuário Nacional, construído para receber o grande fluxo de visitantes, passou a concentrar celebrações, missas e homenagens à padroeira. Em 1980, o papa João Paulo II visitou o local e consagrou a nova basílica durante sua viagem ao Brasil. O santuário continua sendo o principal ponto de encontro dos devotos, sobretudo durante as comemorações de outubro.
O feriado nacional de 12 de outubro foi instituído pela Lei nº 6.802, sancionada em 30 de junho de 1980, durante o governo do presidente João Figueiredo. A legislação estabeleceu a data para o culto público e oficial a Nossa Senhora Aparecida, reconhecendo a importância religiosa da padroeira no país. Além das celebrações católicas, o dia integra o calendário brasileiro como uma ocasião de encontro familiar e de manifestações culturais. Mais de três séculos depois do episódio narrado pelos pesca