O Halloween tem raízes em tradições celtas e gaélicas, especialmente no festival de Samhain, celebrado na noite de 31 de outubro. Segundo Ana Luiza Lopes Azevedo Souza, professora do Senac Lapa Scipião, a festividade marcava o fim da colheita e a chegada do inverno no Hemisfério Norte, muito antes da cristianização do continente europeu.
Com a expansão do cristianismo pela Europa, a celebração pagã foi assimilada e associada ao Dia de Todos os Santos, estabelecido pela Igreja em 1º de novembro. A noite anterior passou a ser chamada de “All Hallows’ Eve”, expressão do inglês antigo que significa 'Véspera de Todos os Santos'. Ao longo dos séculos, a evolução da língua simplificou o termo até dar origem à palavra Halloween.
A tradição de esculpir vegetais está ligada à lenda folclórica irlandesa do Jack Avarento. Segundo a história, ele enganou diversas pessoas para conseguir dinheiro, inclusive o diabo, e, por isso, não foi aceito nem no paraíso nem no inferno após a morte. Condenado a vagar eternamente pela escuridão, passou a carregar um pedaço de carvão em brasa dentro de um vegetal oco para iluminar o próprio caminho.
Um dos registros mais antigos dessa lenda foi publicado em 1836 no periódico irlandês “The Dublin Penny Journal”. Na narrativa, o personagem carregava uma lanterna improvisada feita com um nabo esvaziado. Inspiradas nesse relato, as comunidades passaram a esculpir rostos assustadores em nabos e outros tubérculos para criar lanternas semelhantes àquela que, segundo a história, acompanhava Jack em sua jornada.
De acordo com as crenças folclóricas, essas lanternas eram colocadas em portas e janelas como amuletos de proteção, com o objetivo de afastar ou confundir os espíritos que, na noite de Samhain, circulavam pelo mundo dos vivos. Como a abóbora não era nativa da Europa, comunidades da Irlanda, da Escócia e da Inglaterra utilizavam principalmente nabos, além de beterrabas e batatas, para confeccionar os objetos.
A principal mudança aconteceu no século 19, com a imigração em massa de irlandeses e escoceses para a América do Norte. No novo continente, os vegetais tradicionais deram lugar à abóbora, fruto nativo, abundante, maior e com casca mais fácil de esculpir.
No Brasil, o Halloween ganhou espaço a partir dos anos 1980, sobretudo por meio de escolas regulares e cursos de inglês. Nas décadas seguintes, a influência da cultura pop norte-americana, difundida por filmes, séries de televisão, músicas, publicidade e estratégias comerciais, contribuiu para popularizar a comemoração. Hoje, a festa movimenta desde eventos escolares e de condomínios até o comércio de rua.