Com uma história que remonta da chegada a Brasília aos dias atuais, o Beirute é uma das grandes referências gastronômicas da capital. A jornada de um dos estabelecimentos mais tradicionais da cidade se mistura com o surgimento da nova capital. Nos anos 1970, os irmãos Bartô e Chico, que começaram no restaurante como garçons, compraram os estabelecimentos de seus chefes.
Atualmente, após 60 anos recém-completados de atividades, a gestão do restaurante é dividida por Chiquinho e os filhos, Francisco Emílio e Marcelo Marinho, e o sobrinho Célio Marinho. Na terceira geração de donos, o restaurante segue sendo referência em entretenimento e marca os 66 anos de Brasília como ponto de encontro para todas as idades.
Para a família, a cidade representa mais do que um ponto comercial; é a junção de força e resiliência, e a base do esforço empregado durante gerações. "Nasci, me formei e construí minha trajetória aqui. Já tive experiências em outras cidades, mas sempre enxerguei Brasília como o lugar onde quero estar e desenvolver meus projetos", disse Francisco Emílio.
Francisco faz parte de uma terceira geração que cuida do Beirute. Ele considera a cidade como um polo econômico em constante transformação e deixa um conselho para as novas gerações. "Aproveitem esse momento, invistam em inovação e contribuam para o crescimento da cidade em áreas como tecnologia, logística e turismo", acrescentou.
Com a participação do irmão e primo, o estabelecimento preserva a identidade familiar mesmo após seis décadas. Célio Marinho, filho de Bartô, conta que seu pai o levava para o bar desde os seus 14 anos. "Eu vinha para cá e, muitas vezes, emendava três dias trabalhando no restaurante. No andar de baixo, existia uma beliche, e eu dormia lá para aguentar a jornada. Foi assim que fui pegando gosto pelo ramo", contou.
A história de seu primo, Marcelo, é parecida. "Eu vinha com meus 15 e 16 anos para o restaurante para auxiliar a família. Com o tempo, o negócio também foi me conquistando. Aqui, eu construí toda a minha vida", comentou.
Virada de chave
Os esforços empregados inicialmente por Chiquinho e Bartô renderam frutos à família. Além de proporcionar a criação dos filhos, o restaurante também é o sustento da nova geração, netos dos donos originais. Um dos principais marcos, segundo Francisco Emílio, foi a inauguração da segunda unidade, na Asa Norte, em 2007. "Foi um processo desafiador, com muitos obstáculos, mas a casa também conquistou seu espaço e virou uma referência da cidade", lembrou.
Marcelo relembra que entrou de vez nos negócios após a morte de seu tio, Bartô, em 2001. "Isso foi um divisor de águas para mim. Antes, eu vinha trabalhar apenas de quinta a domingo para render o Célio", contou. Desse momento em diante, os filhos, que eram funcionários, viraram sócios.
Assim como Brasília, o Beirute também passou por evoluções ao longo dos anos, mas sempre mantendo a tradição e o bom atendimento. Célio cita as mudanças de comanda e do ambiente que presenciaram. "A clássica comandada de papel deu lugar aos computadores e depois para o celular. Temos que acompanhar essas mudanças para manter o bar em atividade", disse Célio.
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Ele ainda comentou que a evolução também é vista quando novas gerações de um cliente antigo frequentam o local. "Vemos avós chegando com os filhos e com os netos. Outro dia mesmo, eu conversei com uma cliente de 19 anos que a mãe frequentava o local enquanto estava grávida dela. É uma satisfação enorme", contou.
Apesar do sucesso do bar que atravessa gerações, os primos admitem que há uma pressão em continuar o legado iniciado pelos pais. "A pressão continua tanto pelo legado, mas também por ser o nosso ganha pão. Tenho duas filhas para criar, o Marcelo também os filhos", disse Célio.
Orgulhoso do trabalho feito pela família, Marcelo Marinho, um dos sócios, comenta sobre a satisfação de marcar o cenário boêmio de Brasília. "Isso é muito gratificante. É um sentimento de amor e de responsabilidade ao mesmo tempo em ser considerada uma referência para a cidade", definiu.
