INOVAÇÃO

Lúcia Willadino Braga, precursora da reabilitação humanizada

Diretora da Rede Sarah, a neurocientista Lúcia Willadino Braga une ciência, inovação e cuidado humano para colocar o paciente no centro do processo de tratamento. Interessou-se pela neurologia durante a graduação em música na UnB

Transformar estímulos sonoros em caminhos para reabilitar o cérebro humano. Foi a partir dessa ideia, ainda na juventude, que a neurocientista Lúcia Willadino Braga construiu uma trajetória que une a própria história de inovação da Rede Sarah e de Brasília. Diretora da instituição desde 1994, ela chegou ao hospital com o ideal de transformar e fazer a diferença no tratamento das pessoas. 

Formada em música pela Universidade de Brasília (UnB), ela conta que, durante a graduação, interessou-se por disciplinas ligadas à neurologia e ao desenvolvimento do pensamento. A partir dessa aproximação entre arte e ciência, desenvolveu uma pesquisa pioneira que conectava estruturas do som ao funcionamento cerebral, proposta que apresentou ainda jovem ao hospital. "Eu fiz um projeto para desenvolver estruturas de pensamentos através de estruturas do som de crianças com lesão cerebral. Trouxe para o diretor do Sarah da época, em 1978, se não me falha a memória, e ele me deixou ficar fazendo a pesquisa aqui", lembra.

Foi dessa experiência que nasceu uma trajetória dedicada a pensar a reabilitação de forma integrada, unindo diferentes áreas do conhecimento e colocando o paciente no centro do processo. Criada em Brasília desde os 2 anos, ela explica que, para ela, crescer junto com a capital foi fundamental para seu senso de criatividade e pesquisa. "Vivi uma Brasília onde tudo era possível. Se a pessoa pode fazer uma sorveteria do zero, eu posso criar um método de reabilitação. Eu acho que Brasília traz essa liberdade de pensar", destaca.

Minervino Júnior/CB/D.A.Press - Lúcia Willadino Braga construiu uma trajetória que une a própria história de inovação da Rede Sarah e de Brasília

Reconhecimento

Lúcia, que tem reconhecimento nacional e internacional por seu trabalho como pesquisadora e gestora, reflete sobre a relação da Rede Sarah com a história e a construção de Brasília. "A Rede Sarah nasceu voltada para o futuro. Na medida em que ela vai trabalhando, ela vai se expandindo. Desde o início, o Sarah foi pioneiro em muitas coisas. Foi o primeiro hospital de reabilitação internacional no Brasil. Aqui tivemos o primeiro tomógrafo computadorizado do Brasil", conta. "É muito interessante sair de uma cidade que não tínhamos nada e, de repente, temos uma rede que gera coisas de impacto internacional", celebra.

Para os próximos anos, a expectativa é de uma rede de hospitais ainda mais inovadora, com foco em tecnologia aliada ao atendimento humanizado, combinação que, para ela, seguirá sendo o diferencial da medicina. "Eu vejo no futuro a gente com muita tecnologia e os humanos cuidando mais do que precisa do olhar humano, do afeto, da atenção, do olho no olho. Isso é outro, só uma pessoa faz, nenhum robô pode fazer", ressalta.

 

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