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Estado de Minas

Deputados gastaram US$ 300 mil em diárias no exterior nos últimos dois anos


postado em 29/05/2011 09:00

Em 2011, o deputado Jorge Silva (PDT-ES) foi para festival de flores em Luoyang, na China. Na justificativa,
Em 2011, o deputado Jorge Silva (PDT-ES) foi para festival de flores em Luoyang, na China. Na justificativa, "acordo de cooperação" (foto: www.asiacomentada.com.br/Reprodução da internet )

À custa do dinheiro público, os deputados estão fazendo as mais diferentes e incompreensíveis viagens em missão oficial, termo técnico para dizer que alguém viaja em nome do interesse do país. Os principais destinos são, coincidentemente, os mesmos de qualquer turista: França, Espanha, Estados Unidos, Itália e China. Nos relatórios para justificar a utilidade pública das visitas há de tudo. Desde o argumento de que passear no trem de alta velocidade coreano é fundamental para formar ideia sobre a proposta do governo para construir algo semelhante no Brasil, até a importância para a cultura nacional de visitas a museus franceses e norte-americanos. Essas viagens — sob o pretexto do interesse público— custam caro. Somente em diárias, a Câmara pagou mais de US$ 300 mil nos últimos dois anos, o equivalente a meio milhão de reais. Some-se a isso mais de 400 passagens aéreas internacionais, algumas em classe executiva, cujo preço costuma ser o dobro da econômica.

A preferência dos deputados por desempenhar missões no exterior foi três vezes maior do que os pedidos feitos para a atuação em atividades oficiais nos municípios brasileiros, onde deveriam efetivamente prestar serviços. As ações das comissões da Casa e as audiências e visitas in loco pelo país renderam, desde 2009, 72 viagens pelos estados. Enquanto isso, o número de permissões para que os deputados deixassem o país em nome do parlamento foi de 207, considerando apenas os parlamentares da legislatura passada que continuaram na Câmara. Segundo técnicos da Casa, se o critério de busca for ampliado e incluir os que não renovaram mandatos, as autorizações passam de 400.

Este ano, o número de viagens disparou. Já foram 39 internacionais, contra 19 nacionais. Algumas delas foram, inclusive, realizadas durante o recesso parlamentar. O deputado João Carlos Bacelar (PR-BA), por exemplo, esteve na Espanha entre 20 e 27 de janeiro para visitar a Feira Internacional do Turismo. Ganhou diárias de US$ 350 e passagens pagas pelo erário. Os cofres públicos bancaram também as passagens e cinco diárias para que o deputado Jorge Silva (PDT-ES) fosse à China participar do Festival da Peônia, flor símbolo da cidade de Luoyang. Em homenagem às cores das flores, os chineses celebram a festa da primavera.

Na lista de viagens realizadas pelos parlamentares cujo objetivo é difícil perceber está a ida do deputado Angelo Vanhoni (PT-PR) aos Estados Unidos para visitar 20 museus, incluindo os famosos Museu de Arte Moderna e Metropolitan Museum, duas atrações da cidade de Nova York.

Este ano, o deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES) foi para Nova York no início do mês para participar da feira internacional de cafés especiais e Cleber Verde (PRB-MA) passou oito dias em Paris para participar de evento sobre saúde animal. Em diversidade de destinos, ninguém bate o deputado Átila Lins (PMDB-AM). Nos últimos dois anos, ele visitou Etiópia, Suíça, Tailândia, Estados Unidos, Panamá e Turquia. Os dois últimos, no início deste ano.

Parlasul
Os integrantes do parlamento do Mercosul são os autores de relatórios que detalham reuniões e eventos de interesse do Brasil. Por conta desses encontros, Dr. Rosinha (PT-PR), que presidiu o Parlasul e depois ficou como um dos integrantes da Mesa Diretora, é o deputado que acumula mais viagens. Foram 12 desde 2009, a maioria para o Uruguai. “Viajei muito por conta das reuniões do parlamento. Não há como faltar, mas cada viagem é um pedido feito à Presidência da Casa. Todo mundo tem de fazer a solicitação”, diz.

Por meio da assessoria, o deputado Jorge Silva, que foi à China durante o festival em homenagem às flores, afirma que a viagem serviu para fechar acordos de cooperação entre o prefeito de Luoyang e o município de São Mateus (ES). Até o fim do ano, o prefeito chinês deve vir ao Brasil assinar um termo que estabelece um laço de irmandade entre as cidades.

A assessoria de Lelo Coimbra informou que a importância da sua participação no evento sobre cafés especiais se deve ao cultivo do grão no Espírito Santo, um dos maiores produtores do país. Por meio da assessoria, João Carlos Bacelar afirmou que representou a Bahia e os estados nordestinos na visita a Madri para a Feira Internacional do Turismo. Os outros parlamentares citados não retornaram os contatos da reportagem.

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