A valorização do dólar reflete diretamente no carrinho de compras do brasileiro, especialmente em produtos que são majoritariamente importados. É o caso do vinho, que teve recorde de importação em 2024, e do azeite de oliva, com mais de 98% do consumo nacional vindo de fora. Ambos estão entre os primeiros a sentir o impacto da alta da moeda americana, resultando em preços mais elevados nas prateleiras.
A explicação para esse aumento é direta. A maior parte dos vinhos consumidos no Brasil vem de países como Chile, Argentina e Portugal, enquanto o azeite é importado principalmente de Portugal e Espanha. Embora a negociação possa ocorrer em euros ou pesos, a cotação de referência para o comércio internacional é quase sempre o dólar. Assim, quando a moeda americana sobe, o importador brasileiro precisa de mais reais para pagar a mesma quantidade de produto.
Esse custo adicional é repassado em cascata por toda a cadeia de distribuição. O importador vende mais caro para o distribuidor, que por sua vez repassa o aumento para o varejista. No final da linha, quem arca com a diferença é o consumidor. O mesmo mecanismo afeta outros itens importados, como o bacalhau, queijos especiais e frutas secas.
Além do preço do produto, outros custos da importação, como o frete marítimo e o seguro da carga, também são cotados em dólar. Contudo, outros fatores podem influenciar o valor final. Medidas como a isenção do imposto de importação para o azeite, implementada em março de 2025, podem ajudar a atenuar parte do impacto cambial, embora não o eliminem completamente.
Como se planejar para as compras?
A flutuação cambial exige mais atenção na hora de ir ao mercado. Para continuar consumindo produtos de qualidade sem comprometer o orçamento, algumas estratégias podem ser úteis. A organização e a pesquisa se tornam ferramentas essenciais para economizar.
Pesquise produtos nacionais: o Brasil tem aumentado a produção de vinhos e azeites de excelente qualidade. Dar uma chance aos rótulos locais pode ser uma ótima maneira de encontrar alternativas com melhor custo-benefício, já que eles não sofrem o impacto direto da variação do dólar.
Aproveite as promoções: fique de olho nas ofertas. Muitas vezes, os supermercados possuem estoques comprados em períodos de dólar mais baixo e podem realizar promoções para movimentar a mercadoria. Comparar preços entre diferentes estabelecimentos também faz toda a diferença.
Compre em maior quantidade: para produtos não perecíveis como azeite e vinho, comprar em maior volume durante uma boa promoção pode garantir um preço mais baixo por um período mais longo. Considere comprar caixas fechadas ou embalagens maiores, que costumam ter um valor unitário menor.










