Relatórios de 2026 de agências humanitárias revelam um dado alarmante: dois terços das pessoas que enfrentam fome extrema no mundo estão concentradas em apenas dez países. Essa concentração não é coincidência, mas o resultado de uma combinação de fatores que criam crises complexas e duradouras, tornando a segurança alimentar uma meta distante para milhões.
Nessas nações, a fome é alimentada por uma tempestade perfeita de conflitos, desastres climáticos e colapso econômico. Entender como esses elementos se entrelaçam é fundamental para compreender a dimensão da crise humanitária atual.
Conflitos armados como principal motor
A guerra é a causa mais direta e devastadora da fome. Em países como Iêmen, Sudão do Sul e Afeganistão, os conflitos destroem a infraestrutura agrícola, interrompem as cadeias de suprimentos e forçam milhões de pessoas a abandonar suas casas e terras. A produção de alimentos despenca e o acesso à ajuda humanitária é frequentemente bloqueado.
Além disso, a violência generalizada impede que as famílias cultivem seus próprios alimentos ou trabalhem, eliminando suas fontes de renda. O resultado é uma dependência total da ajuda externa, que nem sempre consegue chegar a quem mais precisa.
O impacto das mudanças climáticas
Eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e inundações severas, estão se tornando mais frequentes e intensos. Regiões vulneráveis, como o Chifre da África, enfrentam algumas das piores secas das últimas décadas, dizimando rebanhos e destruindo colheitas. Essa instabilidade climática aniquila os meios de subsistência de comunidades rurais.
Sem a capacidade de prever o clima ou contar com safras estáveis, agricultores e pastores perdem tudo. A falta de chuvas transforma terras férteis em desertos, criando um ciclo vicioso de pobreza e fome que se agrava a cada ano.
Economias em colapso
A instabilidade econômica completa o cenário de crise. Países como o Sudão e a Síria sofrem com a hiperinflação, que torna os alimentos básicos inacessíveis para a maioria da população. Mesmo quando a comida está disponível nos mercados, os preços são tão altos que as famílias não conseguem comprá-la.
A desvalorização da moeda e o aumento da dívida pública limitam a capacidade dos governos de importar alimentos ou subsidiar produtos essenciais. Essa fragilidade econômica deixa milhões de pessoas sem rede de segurança, empurrando-as para a insegurança alimentar severa.
Os dez países que concentram a maior parte da crise alimentar global, segundo os levantamentos mais recentes, são:
- Afeganistão
- Bangladesh
- República Democrática do Congo
- Myanmar
- Nigéria
- Paquistão
- Síria
- Sudão
- Sudão do Sul
- Iêmen










