O uso de implantes hormonais conhecidos como ‘chip da beleza’ representa um risco sério para mulheres que planejam engravidar. O dispositivo, que libera hormônios como a gestrinona, não é recomendado por sociedades médicas para quem deseja ter um filho, devido aos potenciais danos à mãe e, principalmente, ao feto. É importante ressaltar que não há estudos científicos robustos sobre os efeitos específicos desses implantes em gestantes, e os alertas se baseiam nos riscos conhecidos dos hormônios utilizados.
Esses implantes funcionam com a liberação contínua de hormônios no organismo. A falta de controle sobre essa dosagem pode interferir diretamente no ciclo menstrual e na ovulação, o que muitas vezes dificulta a própria concepção. Caso a gravidez ocorra com o chip ainda ativo, os perigos se multiplicam.
O principal problema está no desequilíbrio hormonal que o dispositivo causa em um momento tão delicado. A gestação exige um balanço hormonal preciso, que é totalmente desregulado pela presença de substâncias sintéticas em doses não fisiológicas, ou seja, que não são naturais para o corpo da gestante.
Riscos para o desenvolvimento do feto
A maior preocupação médica está relacionada à gestrinona, principal componente de muitos desses chips. A substância possui efeitos androgênicos, semelhantes aos hormônios masculinos, o que pode afetar gravemente o desenvolvimento do bebê, especialmente se for do sexo feminino.
Devido a esses efeitos androgênicos, existe a preocupação médica de que a exposição ao hormônio durante a gestação possa teoricamente levar à virilização da genitália externa do feto. Isso significa que, em teoria, um feto feminino poderia desenvolver características como o aumento do clitóris, gerando uma genitália de aparência ambígua que pode demandar acompanhamento especializado e eventuais correções cirúrgicas. Os potenciais danos são considerados graves.
O ‘chip da beleza’ e os impactos na saúde da mulher
Para a mãe, o ‘chip da beleza’ pode mascarar os primeiros sinais da gravidez, como a ausência de menstruação, levando a um diagnóstico tardio. Essa demora atrasa o início do pré-natal e a adoção de cuidados essenciais, como o uso de ácido fólico para a prevenção de malformações no feto.
Os efeitos colaterais comuns do implante, como acne, queda de cabelo e engrossamento da voz, também podem ser intensificados durante a gestação. Além disso, a remoção do dispositivo assim que a gravidez é confirmada é fundamental, mas a permanência do chip por mais tempo prolonga a exposição do corpo a hormônios inadequados.
É crucial destacar que os implantes de gestrinona não possuem registro sanitário válido na Anvisa, e seu uso para fins estéticos ou de performance não é recomendado por entidades como o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). A orientação é que mulheres que desejam engravidar suspendam o uso e procurem um médico para planejar a gestação com segurança. Caso a gravidez seja descoberta durante o uso, o acompanhamento médico especializado deve ser iniciado imediatamente.










