O tombamento de uma carreta com uma carga de 38 toneladas de ureia no bairro Itamaracá, em Campo Grande (MS), acendeu um alerta sobre os perigos associados ao transporte do produto. Embora o acidente não tenha deixado feridos, um vazamento de grandes proporções pode apresentar riscos para a saúde humana e para o meio ambiente.
A ureia é um composto químico rico em nitrogênio, fundamental para o crescimento das plantas. Por essa razão, é um dos fertilizantes sintéticos mais utilizados no mundo. Além do campo, o produto também tem aplicações na indústria química, na fabricação de resinas, plásticos e até em produtos farmacêuticos e cosméticos.
Em sua forma sólida e granulada, como costuma ser transportada, a ureia é considerada de baixa toxicidade. No entanto, o perigo aumenta quando o produto entra em contato direto com as pessoas ou com o ecossistema de forma concentrada, como em um acidente rodoviário.
Quais os riscos de um vazamento de ureia?
A principal preocupação em um derramamento de ureia é a inalação do pó ou o contato com a pele e os olhos. A exposição pode causar irritação no sistema respiratório, provocando tosse e dificuldade para respirar. Na pele, o contato prolongado pode levar a quadros de dermatite, enquanto nos olhos pode causar vermelhidão e ardência.
Não há um risco significativo de explosão ou incêndio, pois a ureia não é inflamável. O maior problema em acidentes como o de Campo Grande é a dispersão do material no ar e o seu potencial de contaminação do solo e da água, o que exige a interdição da área para limpeza e remoção segura do produto.
Quando a ureia atinge rios ou lagos em grande quantidade, ela se decompõe e libera amônia, uma substância tóxica para peixes e outros organismos aquáticos. Além disso, o excesso de nitrogênio na água pode causar um fenômeno chamado eutrofização, que é a proliferação excessiva de algas. Esse crescimento descontrolado consome o oxigênio da água, criando “zonas mortas” e desequilibrando todo o ecossistema local.
No solo, a alta concentração do produto pode “queimar” a vegetação e alterar a composição química da terra, tornando-a temporariamente imprópria para o cultivo. Por isso, a remoção completa do material derramado é fundamental para mitigar os danos ambientais.










