O céu acinzentado e o cheiro de queimado que se espalham por diversas cidades brasileiras durante o período de seca são mais do que um incômodo. Essa fumaça, carregada de partículas finas e gases tóxicos, representa um risco real e invisível para a saúde, afetando desde o sistema respiratório até o coração de milhões de pessoas.
Quando inalada, a fuligem entra em contato direto com o corpo. Os componentes mais perigosos são as partículas finas, conhecidas como MP 2,5. Por serem microscópicas, elas conseguem ultrapassar as barreiras naturais do sistema respiratório, alcançando os pulmões e até mesmo a corrente sanguínea.
Os efeitos imediatos são os mais perceptíveis: irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse seca, coriza e dificuldade para respirar. Pessoas com doenças pré-existentes, como asma, bronquite ou rinite, sentem os sintomas de forma muito mais intensa e podem sofrer crises agudas.
O perigo, no entanto, vai além. A exposição contínua à fumaça pode desencadear processos inflamatórios em todo o organismo. Essa inflamação sistêmica aumenta o risco de problemas cardiovasculares, como infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVC), especialmente em idosos e indivíduos com histórico de doenças cardíacas.
Um levantamento recente do MapBiomas Fogo, que analisou dados de 1985 a 2024, revelou que quase um quarto do território brasileiro queimou nos últimos 40 anos. O número dimensiona a frequência dessa exposição e o tamanho do problema de saúde pública associado aos incêndios.
Como se proteger da fumaça das queimadas?
Adotar algumas medidas simples durante os períodos de maior concentração de fumaça pode reduzir significativamente os danos à saúde. A principal recomendação é minimizar a exposição, principalmente para os grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e gestantes.
- Mantenha o ambiente fechado: Deixe janelas e portas de casa bem fechadas, especialmente nos horários de pico da fumaça, como o final da tarde e o início da noite.
- Use purificadores ou umidificadores: Aparelhos de ar-condicionado com filtros adequados, purificadores ou até mesmo toalhas molhadas e baldes com água ajudam a melhorar a qualidade do ar interno.
- Evite atividades físicas ao ar livre: Praticar exercícios em áreas com fumaça aumenta a quantidade de ar poluído inalado, forçando o sistema respiratório e o coração.
- Hidrate-se constantemente: Beber bastante água ajuda a manter as vias aéreas hidratadas e a diluir o muco, facilitando a eliminação das partículas inaladas.
- Use máscaras de proteção: Se precisar sair, opte por máscaras do tipo PFF2 ou N95, que são eficazes para filtrar as partículas finas presentes na fumaça.









