Um composto desenvolvido originalmente na Saint Louis University, nos Estados Unidos, pelo grupo do pesquisador Thomas Burris (hoje na Universidade da Flórida), pode representar uma nova abordagem no tratamento contra a obesidade, desafiando o domínio de medicamentos injetáveis como o Ozempic. O composto estimula os músculos a queimar gordura, simulando os efeitos de uma atividade física intensa sem que a pessoa precise se exercitar.
O composto, identificado como SLU-PP-332, ainda está em fase de testes pré-clínicos, mas os resultados iniciais em camundongos, publicados na revista “Journal of Pharmacology and Experimental Therapeutics”, mostraram que os animais perderam até 12% do peso corporal em um mês, sem alterações na dieta ou no nível de atividade física.
Como funciona a nova pílula?
Diferente do Ozempic, que atua no cérebro para reduzir o apetite, o novo medicamento age diretamente no metabolismo. Ele ativa uma família de receptores nucleares chamados ERRs (receptores relacionados ao estrogênio), que regulam a expressão de genes envolvidos no metabolismo oxidativo e na função mitocondrial.
Na prática, o corpo passa a se comportar como se estivesse em meio a um treino vigoroso, acelerando o metabolismo e promovendo a perda de peso. Esse mecanismo representa uma abordagem inovadora, focada no gasto calórico em vez da supressão do apetite, o que pode beneficiar pessoas com dificuldades de locomoção ou com restrições para exercícios.
Impacto no mercado bilionário
A chegada de um concorrente oral e eficaz pode eventualmente impactar a farmacêutica Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy. O mercado de medicamentos para perda de peso é um dos mais lucrativos do setor, movimentando bilhões de dólares anualmente. A conveniência de uma pílula diária, em comparação com as injeções semanais, é um atrativo poderoso para os consumidores.
Ainda que o caminho até a aprovação para uso humano seja longo, o desenvolvimento do SLU-PP-332 intensifica a corrida da indústria farmacêutica por alternativas orais aos tratamentos existentes. O sucesso dessa nova molécula poderia não apenas redefinir as estratégias de tratamento da obesidade, mas também alterar o equilíbrio de poder financeiro entre os grandes laboratórios globais.
O SLU-PP-332 ainda não passou por testes em humanos, e mais estudos em animais são necessários antes do início de ensaios clínicos. Pesquisadores fundaram a startup Pelagos Pharmaceuticals para acelerar o desenvolvimento da molécula.









