O alto custo dos medicamentos à base de semaglutida, como o Ozempic e o Wegovy, tem gerado dúvidas entre consumidores que buscam o tratamento para diabetes tipo 2 ou para a perda de peso. Com preços que facilmente ultrapassam os mil reais por mês, entender a composição desse valor é fundamental para compreender o acesso ao fármaco no Brasil, especialmente em um cenário de transição com o fim da patente do medicamento.
A jornada de um medicamento inovador, desde o laboratório até a prateleira da farmácia, é longa e extremamente cara. O principal fator que historicamente encareceu a semaglutida é o investimento bilionário em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Foram necessários anos de estudos clínicos, testes em milhares de voluntários e aprovações regulatórias rigorosas para garantir sua segurança e eficácia. A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, desenvolvedora original, precisou recuperar esse investimento inicial.
Até recentemente, o ponto mais crucial era a proteção por patente. No entanto, esse cenário mudou: a patente da semaglutida no Brasil expirou em março de 2026, encerrando o período de exclusividade da Novo Nordisk. Como resultado, a concorrência começou a surgir. Em maio de 2026, a Anvisa aprovou o primeiro medicamento similar nacional, o Ozivy, da farmacêutica EMS. A expectativa é que a chegada de mais genéricos e similares ao mercado, prevista para ocorrer entre o final de 2026 e o início de 2027, aumente a competição e contribua para uma redução gradual dos preços.
O que mais influencia o preço?
A fabricação da semaglutida também é complexa. Por ser um medicamento biológico, seu processo de produção é mais delicado e caro do que o de comprimidos sintéticos tradicionais, exigindo tecnologia avançada e controle de qualidade rigoroso em todas as etapas.
Além dos custos de produção e pesquisa, o valor final inclui despesas significativas com marketing e distribuição. Campanhas de conscientização para médicos e pacientes, logística de transporte refrigerado e a margem de lucro de distribuidores e farmácias também são adicionados ao preço que chega ao consumidor.
No Brasil, a carga tributária representa uma fatia importante do valor final. Impostos como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) incidem sobre o medicamento, aumentando ainda mais seu custo. Essa combinação de fatores, mesmo com a chegada da concorrência, ainda cria uma barreira de acesso para muitos pacientes que poderiam se beneficiar do tratamento.










