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Como os cientistas sabem a idade de um fóssil de 400 milhões de anos?

Por Lucas
05/06/2026
Em Curiosidades
Como os cientistas sabem a idade de um fóssil de 400 milhões de anos?

Créditos: depositphotos.com / LegART

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A recente reclassificação de um fóssil de escorpião gigante com 415 milhões de anos levanta uma questão fascinante: como cientistas conseguem determinar com precisão a idade de um vestígio tão antigo? O processo é um trabalho de detetive que combina diferentes técnicas, já que os métodos mais conhecidos nem sempre são os aplicados.

Embora a datação por carbono-14 seja a mais famosa, ela é inútil para fósseis como o do escorpião pré-histórico. Esse método funciona medindo a decomposição do carbono-14 em matéria orgânica, mas sua “validade” alcança apenas cerca de 50 mil anos. Para artefatos de milhões de anos, a ciência precisa de relógios muito mais antigos.

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A resposta para datações tão longas não está no fóssil em si, mas nas camadas de rocha onde ele foi encontrado. Os fósseis geralmente se formam em rochas sedimentares, criadas pelo acúmulo de lama e areia ao longo de eras. Essas rochas, no entanto, são difíceis de datar diretamente.

O segredo está no entorno

A solução é analisar as camadas de rochas vulcânicas (ígneas) que frequentemente se encontram acima ou abaixo da camada sedimentar que contém o fóssil. Essas rochas nascem do magma e contêm elementos radioativos que funcionam como relógios geológicos precisos. Um dos métodos mais usados é a datação por urânio-chumbo.

Funciona assim: o urânio-238, presente na rocha vulcânica desde sua formação, decai e se transforma em chumbo-206 a uma taxa constante e conhecida, chamada de meia-vida, que é de aproximadamente 4,5 bilhões de anos. Ao medir a proporção entre o urânio original e o chumbo resultante na amostra, os geólogos calculam há quanto tempo aquela rocha se solidificou.

Ao datar as camadas vulcânicas acima e abaixo do fóssil, os cientistas criam uma janela de tempo. Se a camada inferior tem, por exemplo, 420 milhões de anos e a superior tem 410 milhões, o organismo fossilizado viveu e morreu em algum ponto nesse intervalo de 10 milhões de anos.

Esse cruzamento de dados, que une a datação relativa (a posição nas camadas) com a datação radiométrica (o “relógio” atômico das rochas vizinhas), permite que paleontólogos construam uma linha do tempo confiável da vida na Terra, revelando a idade de criaturas impressionantes como o escorpião gigante.

Tags: 400 milhõescientistascomo sabemcomo saber a idade de um fóssilfóssil
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