Com a chegada do frio intenso, que levou os termômetros do Distrito Federal a marcarem 8,8ºC recentemente, muita gente percebeu duas mudanças no corpo: mais fome e mais sono. Essa reação não é coincidência nem fraqueza, mas sim uma resposta biológica inteligente do nosso organismo para lidar com as baixas temperaturas.
O corpo humano trabalha constantemente para manter sua temperatura interna estável, que geralmente varia entre 36,5°C e 37,5°C. Quando o ambiente esfria, ele precisa gastar mais energia para se aquecer. Esse processo, conhecido como termogênese, acelera o metabolismo e, consequentemente, queima mais calorias, gerando um sinal claro para o cérebro de que é preciso repor esse combustível.
A fome extra no frio
O aumento do apetite é a forma mais direta que o corpo encontra para pedir mais energia. A preferência por alimentos mais calóricos, ricos em gorduras e carboidratos, também tem uma explicação evolutiva. Esses nutrientes são fontes densas de energia, ideais para gerar calor de forma rápida e eficiente. Por isso, pratos como fondues, massas, sopas cremosas e chocolates se tornam tão desejados nesta época do ano.
O organismo busca instintivamente o caminho mais curto para se manter aquecido e funcionando corretamente. Ignorar esses sinais pode levar a uma sensação maior de frio e cansaço, já que o corpo terá que tirar energia de suas reservas para compensar a perda de calor para o ambiente.
E o sono, de onde vem?
A sonolência aumentada também está ligada a dois fatores principais. O primeiro é a luz solar. No outono e no inverno, os dias são geralmente mais curtos e com menor incidência de sol. A falta de luz estimula o cérebro a produzir mais melatonina, o hormônio que regula o sono, nos deixando mais sonolentos durante o dia.
O segundo fator é a economia de energia. Dormir é uma maneira eficaz de reduzir o gasto calórico e conservar calor. É um mecanismo primitivo de sobrevivência. Ao diminuir a atividade, o corpo consegue direcionar seus recursos para a tarefa mais importante no momento: manter a temperatura interna e garantir o funcionamento dos órgãos vitais.
Como lidar com as mudanças?
Adaptar-se a essas reações naturais é a melhor estratégia. Para controlar a fome, a recomendação é priorizar refeições quentes e nutritivas, como sopas de legumes, caldos e chás, que ajudam a aquecer sem exagerar nas calorias. Manter uma rotina de sono regular e, sempre que possível, se expor à luz natural pela manhã pode ajudar a regular o ciclo de sono e diminuir a sonolência diurna.










