Alertas de tempestades com granizo, frequentemente emitidos pela Defesa Civil e órgãos de meteorologia, têm colocado diversas cidades de Santa Catarina e de outros estados do Sul em atenção. A frequência e a intensidade com que as pedras de gelo atingem a região levantam uma dúvida comum: por que isso acontece tanto por aqui? A resposta está na combinação de fatores geográficos e atmosféricos que criam o cenário perfeito para esse tipo de evento climático.
O granizo nada mais é do que gelo que se forma dentro de nuvens de tempestade muito altas e com fortes correntes de ar. Tudo começa quando gotas de água são levadas para as partes mais frias da atmosfera, onde congelam. Essas pequenas pedras de gelo começam a cair, mas são empurradas de volta para cima por ventos ascendentes dentro da nuvem.
Nesse ciclo de sobe e desce, novas camadas de gelo se acumulam, fazendo a pedra crescer. O processo se repete várias vezes. O granizo só consegue escapar da nuvem e chegar ao solo quando seu peso se torna grande demais para ser sustentado pelas correntes de ar. Por isso, quanto mais intensa a tempestade, maiores podem ser as pedras de gelo.
Por que o Sul é uma área de risco?
A Região Sul do Brasil é um ponto de encontro de diferentes massas de ar, o que a torna particularmente suscetível a tempestades severas. A instabilidade climática é gerada principalmente pelo choque entre o ar quente e úmido, que vem da Amazônia, e as frentes frias que avançam pelo continente.
Esse contraste de temperatura e umidade funciona como um combustível para a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, conhecidas como cumulonimbus. São verdadeiras “fábricas” de raios, ventos fortes e, claro, granizo. Esse fenômeno é mais comum durante a primavera e o verão, quando o calor na superfície é maior, intensificando a instabilidade, mas também pode ocorrer no outono e inverno, especialmente em anos com influência de fenômenos climáticos como o El Niño.
A topografia da região, com seus planaltos e serras, também pode influenciar, ajudando a forçar o ar quente para cima e a dar o empurrão inicial para a formação das tempestades. A combinação desses fatores explica por que os alertas da Defesa Civil são tão recorrentes e por que os moradores precisam ficar atentos às previsões do tempo, especialmente nesta época do ano.








