A campanha de vacinação com o imunizante contra a dengue desenvolvido pelo Instituto Butantan foi suspensa em 8 de junho de 2026. A decisão, recomendada pela Anvisa, foi tomada após a notificação de 42 eventos adversos, incluindo três casos graves com hospitalização e dois óbitos, em um universo de aproximadamente 500 mil doses aplicadas desde janeiro.
Diferente do que foi noticiado anteriormente, a suspensão não ocorreu durante a fase de testes. A vacina, chamada Butantan-DV, já havia sido aprovada pela Anvisa e estava sendo administrada na população. A interrupção é um procedimento de segurança padrão para que um comitê independente investigue se há relação causal entre os eventos e o imunizante.
Os resultados que levaram à sua aprovação, publicados na revista científica “New England Journal of Medicine”, mostraram uma eficácia geral de 79,6% na proteção contra a dengue. Um dos grandes diferenciais do imunizante brasileiro é ser de dose única, o que facilita campanhas de vacinação em massa.
Qual a diferença para a vacina Qdenga?
Enquanto a aplicação da vacina do Butantan está suspensa, o Brasil utiliza outro imunizante contra a dengue: a Qdenga, da farmacêutica japonesa Takeda. A principal diferença está no esquema vacinal, já que a Qdenga exige duas doses com intervalo de três meses, enquanto a Butantan-DV prevê proteção com apenas uma aplicação.
Ambas são vacinas de vírus atenuado e protegem contra os quatro sorotipos da dengue. A Qdenga segue sendo distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para públicos prioritários, enquanto a vacina do Butantan aguarda a conclusão das investigações para uma possível retomada.
A expectativa das autoridades de saúde é que a análise sobre os eventos adversos seja concluída rapidamente. A retomada segura da vacinação com o imunizante do Butantan é considerada estratégica para o Brasil ampliar o combate à dengue, oferecendo uma alternativa nacional e de dose única para proteger a população.









