Localizado na Ásia Central, entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, o Mar de Aral — que já foi o quarto maior lago do mundo — começou a encolher drasticamente na década de 1960. O motivo foi um ambicioso projeto da antiga União Soviética que desviou os rios Amu Darya e Syr Darya, suas principais fontes de água, para irrigar imensas plantações de algodão e grãos no deserto.
As consequências foram devastadoras. Em poucas décadas, o lago perdeu mais de 90% de sua área. A salinidade aumentou a níveis que mataram quase toda a vida aquática, aniquilando uma próspera indústria pesqueira que empregava dezenas de milhares de pessoas. O leito exposto do lago se tornou o deserto de Aralkum, uma fonte de tempestades de poeira que espalham sal e resíduos de pesticidas por centenas de quilômetros.
O que está sendo feito para reverter o cenário?
Apesar da escala do desastre, existem esforços para mitigar os danos. No Cazaquistão, a construção da barragem de Kokaral em 2005 foi um sucesso notável. O projeto conseguiu restaurar parcialmente a porção norte do lago, conhecida como Mar de Aral Pequeno. Com o represamento das águas do rio Syr Darya, o nível da água subiu, a salinidade diminuiu e algumas espécies de peixes retornaram, revitalizando a pesca local.
Já na porção sul, no Uzbequistão, a abordagem é diferente. Como o reenchimento do lago é considerado inviável no momento, os projetos se concentram em combater a desertificação do leito seco. A principal estratégia é o plantio em larga escala de vegetação resistente ao sal e à seca, como a saxaul e outras espécies nativas. Essas plantas ajudam a fixar o solo, reduzindo a quantidade de areia e poeira tóxica levantada pelo vento. O objetivo é criar barreiras verdes que protejam as comunidades vizinhas e melhorem a qualidade do ar e do solo na vasta área do deserto de Aralkum.








