Pouco mais de um ano e meio após os holofotes do futebol mundial se apagarem, o Catar colhe os frutos e lida com os desafios do legado da Copa do Mundo de 2022. O evento, que custou mais de 220 bilhões de dólares, deixou uma infraestrutura moderna, mas também um rastro de polêmicas que ainda ecoam no cenário internacional.
A transformação mais visível está na paisagem urbana. O país agora conta com um sistema de metrô de última geração, hotéis de luxo e rodovias ampliadas, projetados para receber milhões de torcedores. Os estádios, joias da coroa do torneio, tiveram destinos diferentes. O Estádio 974, famoso por seu projeto com contêineres para ser totalmente desmontável, ainda não foi realocado como previsto no plano original. Outras arenas, como o Al Thumama e o Al Janoub, tiveram suas capacidades reduzidas e foram adaptadas para se tornarem centros comunitários, com mesquitas, escolas e lojas.
O que ficou do Mundial?
O Catar não parou no futebol. O país usou a visibilidade da Copa para se firmar como um polo de grandes eventos esportivos. No início de 2024, sediou a Copa da Ásia de 2023 e, na sequência, o Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos. Além disso, o país manifestou interesse em receber os Jogos Olímpicos de 2036, mostrando que o investimento em esporte é uma política de Estado de longo prazo.
O turismo também recebeu um impulso significativo. A meta do governo é atrair seis milhões de visitantes por ano até 2030, quase o triplo do número registrado antes da pandemia. A estratégia inclui a promoção de sua cultura, museus e atrações de luxo, buscando diversificar a economia para além do gás e do petróleo.
E as polêmicas?
Apesar dos avanços, as questões sobre direitos humanos, especialmente ligadas aos trabalhadores migrantes que construíram a infraestrutura do Mundial, continuam em pauta. O governo catari implementou reformas trabalhistas, como a abolição do sistema “kafala”, que prendia o trabalhador ao empregador, e a criação de um salário mínimo.
No entanto, organizações internacionais de direitos humanos afirmam que a fiscalização ainda é falha e que muitos trabalhadores continuam vulneráveis a abusos. A vigilância sobre as condições de trabalho no país permanece intensa, testando se as mudanças foram permanentes ou apenas uma resposta à pressão global durante o período do torneio.










