Planejar uma viagem nos próximos meses exige atenção redobrada ao preço das passagens aéreas. Diante de um cenário de custos em alta, a pergunta que muitos se fazem é se há perspectiva de alívio. A resposta, no entanto, depende de uma complexa equação que envolve a cotação do dólar, o preço do combustível e a própria demanda dos passageiros.
A resposta curta é que uma redução expressiva e generalizada nos preços é pouco provável no curto prazo. O principal fator é o custo do querosene de aviação (QAV), que já representa entre 45% e 50% dos custos operacionais de uma companhia aérea, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). O valor do QAV é atrelado ao preço do barril de petróleo no mercado internacional e à variação do dólar.
O setor aéreo vive um momento crítico. Aumentos sucessivos no preço do QAV, impulsionados por tensões geopolíticas, fizeram o combustível dobrar de valor nos primeiros meses de 2026, atingindo o maior patamar da série histórica. Como resultado, as empresas já realizam cortes de voos e as tarifas estão em alta.
Além do combustível, a moeda norte-americana também pressiona os custos. Como boa parte das despesas da aviação, incluindo arrendamento de aeronaves, manutenção e seguros, é dolarizada, qualquer alta na cotação impacta diretamente o valor final do bilhete.
Passagens aéreas: o que esperar para os próximos meses
Para os próximos meses, incluindo as férias de julho, a expectativa é de manutenção das tarifas em patamares elevados ou até mesmo novos aumentos. Especialistas descrevem o cenário como gravíssimo. Embora períodos de baixa temporada ainda possam oferecer algum alívio relativo, a tendência de curto prazo é de alta, pressionada pelos custos recordes. Medidas governamentais, como a zeragem de PIS/Cofins sobre o QAV, foram tomadas para amenizar o impacto, mas ainda não foram suficientes para reverter o quadro.
Para quem busca economizar em meio a este cenário, a estratégia se torna ainda mais crucial: planejamento e flexibilidade. Monitorar os preços com antecedência e ter datas flexíveis são as ferramentas mais eficazes para encontrar boas oportunidades.
Algumas dicas podem ajudar a economizar na hora de comprar sua passagem:
- Compre com antecedência: o ideal é garantir os bilhetes de voos nacionais com 30 a 60 dias de antecedência. Para destinos internacionais, o prazo sobe para 60 a 120 dias.
- Seja flexível com as datas: voar durante a semana, especialmente às terças e quartas-feiras, costuma ser mais barato do que nos fins de semana ou às segundas e sextas.
- Use alertas de preço: cadastre-se em sites e aplicativos que monitoram as tarifas para o seu destino desejado e avisam quando os valores caem.
- Considere aeroportos alternativos: voar para um aeroporto secundário em grandes cidades pode, em alguns casos, reduzir significativamente o custo total da viagem.









