O recente caso de um homem que morreu na recepção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no Distrito Federal trouxe à tona a discussão sobre a triagem de pacientes. O sistema que define quem é atendido primeiro nesses locais é o Protocolo de Manchester, um método de classificação de risco usado para priorizar casos graves, independentemente da ordem de chegada.
Criado em 1994 na Inglaterra pelo médico Kevin Mackway-Jones, o protocolo foi adotado nas redes de saúde do Brasil a partir de 2008 e utiliza um sistema de cores para organizar o fluxo de atendimento. Ao chegar na UPA, um profissional de enfermagem qualificado avalia os sinais vitais, como pressão e temperatura, e ouve as queixas do paciente. Com base nessa análise inicial, a pessoa recebe uma pulseira colorida que indica a sua urgência e o tempo máximo recomendado para o atendimento médico.
A lógica é simples: garantir que quem corre mais risco seja visto primeiro. Por isso, um paciente com dor de garganta pode esperar mais tempo que alguém que chegou depois, mas com sintomas de um infarto, por exemplo.
Entenda o significado de cada cor da classificação de risco
A classificação de risco segue uma escala de cinco cores, cada uma associada a um nível de urgência e a um tempo de espera alvo. Conhecer essa organização ajuda o paciente a entender a dinâmica do pronto-socorro.
- Vermelho (emergência): risco altíssimo de morte, com necessidade de atendimento imediato, sem qualquer espera. Casos como paradas cardíacas e traumas gravíssimos.
- Laranja (muito urgente): quadro grave, com risco significativo. O atendimento deve ocorrer em até 10 minutos. Inclui arritmias cardíacas e dores fortes no peito.
- Amarelo (urgente): gravidade moderada, sem risco imediato, mas que exige avaliação médica. O paciente pode aguardar até 60 minutos. Enquadram-se aqui crises de asma e fraturas sem grande hemorragia.
- Verde (pouco urgente): caso de menor complexidade. O tempo de espera pode chegar a 120 minutos. Abrange quadros como resfriados, dores de garganta leves e lesões menores.
- Azul (não urgente): quadro sem urgência, que poderia ser resolvido em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A espera pode ser de até 240 minutos. Inclui troca de receitas ou queixas crônicas.
Direitos e o que fazer na espera
Todo paciente tem o direito de ser informado sobre a cor recebida na triagem e o tempo estimado de espera. Caso os sintomas piorem durante o aguardo, é fundamental comunicar a equipe de enfermagem imediatamente para uma reavaliação do quadro clínico. Essa nova análise pode resultar na mudança da cor da pulseira e, consequentemente, na prioridade do atendimento.
Se houver discordância sobre a classificação, o primeiro passo é conversar com a enfermagem da triagem. Persistindo a dúvida, é possível procurar a administração da unidade para mais esclarecimentos sobre os procedimentos adotados. O sistema foi criado para otimizar o atendimento em ambientes de superlotação, garantindo que os casos com risco de morte ou de agravamento severo sejam vistos primeiro.










