Dois incidentes envolvendo estouros de pneus em aeronaves Boeing 737 MAX 8, ocorridos em um intervalo de oito dias, reacenderam as preocupações sobre o controle de qualidade da fabricante. Os eventos, registrados com voos da Singapore Airlines em junho de 2026 no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur, na Malásia, se somam a uma extensa lista de problemas que abalaram a confiança na gigante da aviação nos últimos anos.
A crise de reputação não é recente e vai muito além de falhas pontuais. A seguir, relembre outros cinco grandes problemas que colocaram a segurança das aeronaves da Boeing em xeque em todo o mundo.
1. Os acidentes fatais com o 737 MAX
A crise mais grave da história da empresa começou com dois acidentes em um intervalo de cinco meses. Em outubro de 2018, um voo da Lion Air caiu na Indonésia. Em março de 2019, uma aeronave da Ethiopian Airlines teve o mesmo destino. Ao todo, 346 pessoas morreram.
As investigações apontaram uma falha no software de controle de voo, conhecido como MCAS, como causa principal. O sistema empurrava o nariz do avião para baixo sem que os pilotos conseguissem reverter. A consequência foi a suspensão global dos voos com o modelo 737 MAX por quase dois anos.
2. O plugue de porta que se soltou em pleno voo
Em janeiro de 2024, um incidente chocou passageiros e autoridades. Um plugue de porta — painel que veda uma saída de emergência não utilizada — de um Boeing 737 MAX 9 da Alaska Airlines se desprendeu da fuselagem minutos após a decolagem nos Estados Unidos. A descompressão explosiva não deixou feridos graves, mas expôs falhas críticas na linha de montagem.
3. Falhas sistemáticas no controle de qualidade
Além dos grandes acidentes, uma série de falhas menores, mas recorrentes, minou a credibilidade da Boeing. Relatórios e inspeções revelaram a presença de detritos e ferramentas esquecidas dentro de tanques de combustível de aeronaves 737 MAX novas. Também foram encontrados parafusos soltos e peças mal instaladas em diferentes modelos.
4. Problemas nas baterias do 787 Dreamliner
Muito antes da crise com o 737 MAX, o moderno 787 Dreamliner enfrentou seus próprios desafios. Em 2013, a frota global do modelo foi temporariamente paralisada após incêndios em baterias de íon de lítio. O problema exigiu um redesenho completo do sistema de baterias para garantir a segurança.
5. Cultura de produção acelerada
Denúncias de funcionários e ex-funcionários, algumas levadas ao Congresso dos Estados Unidos ao longo dos últimos anos, descrevem um ambiente de trabalho onde a velocidade da produção era priorizada sobre a segurança. Esses relatos sugerem que a pressão para acelerar as entregas e competir com a rival Airbus comprometeu os rigorosos padrões de qualidade da aviação.










