A divulgação de uma nova pesquisa de intenção de voto pelo Datafolha reacende um debate clássico em período eleitoral: é possível confiar nos números? A resposta, baseada na história, é que as pesquisas são um retrato do momento e, sim, podem falhar em prever o resultado final das urnas.
Fatores como a movimentação de eleitores indecisos nos últimos dias, a margem de erro e o chamado “voto envergonhado” podem levar a discrepâncias significativas entre a projeção e a realidade. Em outras palavras, um candidato pode ter um desempenho diferente do esperado quando os votos são de fato contados.
Essas variações não são exclusividade do cenário político brasileiro. Episódios marcantes já ocorreram em diversas eleições pelo mundo, abalando a credibilidade de institutos e surpreendendo o mercado e a imprensa.
Relembre 5 casos em que as pesquisas do Datafolha falharam
Aécio Neves em 2014
Nas eleições presidenciais de 2014, a disputa pelo segundo lugar no primeiro turno foi marcada por uma grande reviravolta. Durante quase toda a campanha, as pesquisas apontavam Marina Silva (PSB), que assumiu a candidatura após a morte de Eduardo Campos, como a favorita para ir ao segundo turno. No entanto, Aécio Neves (PSDB) teve uma arrancada na reta final e garantiu a vaga contra Dilma Rousseff (PT), contrariando as projeções que dominaram a maior parte da corrida eleitoral.
Jair Bolsonaro em 2018
Quatro anos depois, em 2018, as pesquisas subestimaram a força de Jair Bolsonaro (então no PSL) no primeiro turno. Embora apontassem sua liderança, os levantamentos da véspera indicavam um percentual de votos válidos menor do que os 46% que ele de fato alcançou. A diferença ficou fora da margem de erro de muitos institutos.
Donald Trump nos EUA em 2016
Talvez o caso mais emblemático dos últimos anos tenha ocorrido nos Estados Unidos. Em 2016, a maioria das pesquisas nacionais indicava uma vitória de Hillary Clinton no voto popular, o que de fato aconteceu. No entanto, elas falharam em prever o resultado em estados-chave decisivos, que deram a vitória a Donald Trump no Colégio Eleitoral, o sistema que define a presidência do país. O evento questionou os métodos de muitos institutos de pesquisa americanos.
Brexit no Reino Unido em 2016
No mesmo ano, o Reino Unido viveu um cenário parecido com o referendo sobre sua permanência na União Europeia. As sondagens de opinião apontavam uma ligeira vantagem para o lado do “Remain” (Permanecer). Contudo, a campanha pelo “Leave” (Sair) venceu com 51,9% dos votos, um resultado que redefiniu o futuro político e econômico do país.
Truman vs. Dewey em 1948
A falha das pesquisas não é um fenômeno novo. Em 1948, nos EUA, todos os levantamentos davam como certa a vitória de Thomas Dewey sobre Harry S. Truman. A confiança era tanta que o jornal “Chicago Daily Tribune” chegou a imprimir sua edição com a manchete “Dewey Derrota Truman”. A foto de Truman, vitorioso, segurando o jornal com a manchete errada, tornou-se um símbolo histórico dos limites da previsão eleitoral.









