A decisão do eleitor na urna é muitas vezes guiada mais pela rejeição a um candidato do que pela afinidade com outro. Uma pesquisa recente da Atlas/Intel sobre as eleições presidenciais ilustra bem esse cenário. O levantamento aponta que o receio de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (48,4%) é maior do que o temor de um novo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (42,4%).
Esse fenômeno, conhecido como voto por rejeição, ocorre quando a principal motivação para a escolha não são as propostas ou a trajetória de um político, mas o desejo de impedir que seu principal adversário chegue ao poder. Em vez de votar “a favor” de um projeto, a pessoa vota “contra” outro que considera mais prejudicial.
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Essa dinâmica transforma a lógica da disputa eleitoral. A escolha se torna menos sobre qual candidato representa melhor os ideais do eleitor e mais sobre qual deles é visto como o “mal menor”. Essa percepção é moldada por uma série de fatores, incluindo a cobertura da mídia, o desempenho em debates e as estratégias de campanha.
O cérebro em modo de defesa
O cérebro humano tende a reagir com mais intensidade a estímulos negativos do que a positivos. Ameaças e medos ativam áreas ligadas à autopreservação, gerando respostas emocionais rápidas e fortes. O medo de perder direitos, da instabilidade econômica ou da deterioração da segurança pública pesa mais do que a esperança de melhorias futuras.
Campanhas políticas exploram essa tendência ao focar em desqualificar os oponentes. A estratégia é criar um sentimento de risco associado ao adversário, tornando-o uma opção inaceitável para uma parcela do eleitorado. Mensagens negativas costumam ter maior poder de mobilização e engajamento.
Com isso, o debate se desloca das propostas e planos de governo para uma disputa sobre quem possui a menor taxa de rejeição. A capacidade de um candidato de ser visto como uma alternativa segura se torna um trunfo eleitoral significativo, mesmo que ele não desperte grande entusiasmo.
Na prática, essa dinâmica emocional pode levar eleitores a apoiarem nomes com os quais têm pouca identificação, apenas para evitar um resultado que consideram pior. A análise racional de um programa de governo acaba, para muitos, em segundo plano.









