As pesquisas de intenção de voto e avaliação de governos divulgadas pelo instituto Datafolha movimentam o cenário político e geram debates em todo o país. Mas para entender a relevância desses números, é fundamental conhecer o método por trás da coleta de dados, que busca criar um retrato fiel da população brasileira em um determinado momento.
O processo começa com uma etapa de planejamento estatístico. O objetivo é montar uma amostra que represente a diversidade do Brasil. Para isso, os pesquisadores utilizam dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para dividir a população em grupos, considerando critérios como região, sexo, faixa etária, grau de instrução e renda familiar.
A seleção dos entrevistados
Com a amostra definida, o trabalho de campo se inicia. Os entrevistadores são enviados aos domicílios (residências) dos entrevistados em municípios sorteados previamente, realizando entrevistas face a face. Eles não escolhem aleatoriamente quem entrevistar, mas seguem cotas pré-estabelecidas para cada perfil demográfico.
Por exemplo, se em uma cidade a meta é ouvir dez mulheres com mais de 50 anos e ensino fundamental, o pesquisador visitará residências em setores censitários sorteados até encontrar e entrevistar pessoas com essas características, preenchendo a cota estabelecida. Essa abordagem garante que o resultado final da pesquisa reflita a composição da sociedade com precisão.
O que é a margem de erro?
Toda pesquisa de opinião possui uma margem de erro. Esse número indica a variação máxima que os resultados podem ter em relação à realidade. Uma margem de dois pontos percentuais, por exemplo, significa que um candidato com 30% das intenções de voto pode ter, na verdade, entre 28% e 32%.
Associado à margem de erro está o nível de confiança, que no caso do Datafolha costuma ser de 95%. Isso quer dizer que, se a mesma pesquisa fosse realizada 100 vezes, em 95 delas os resultados estariam dentro da margem de erro estipulada. É uma forma de medir a confiabilidade estatística do levantamento.
Após a coleta, uma equipe de checagem verifica uma parte das entrevistas realizadas. Essa auditoria interna serve para confirmar se os questionários foram aplicados corretamente, garantindo a integridade dos dados antes da tabulação e divulgação dos resultados finais.










