O caso de Dayanne Rodrigues, ex-esposa do goleiro Bruno, que desapareceu em Minas Gerais após relatar pressão de agiotas, acendeu um alerta sobre a pressão psicológica provocada pelo endividamento. Embora ela tenha sido encontrada viva dias depois, socorrida e levada a um hospital, a situação ilustra como problemas financeiros podem afetar a saúde mental e levar a situações extremas. Saber identificar esses sinais e oferecer apoio a quem está sofrendo é fundamental.
O estresse financeiro não se manifesta apenas em conversas sobre dinheiro. Segundo pesquisas sobre endividamento, como as realizadas pela Serasa, uma parcela significativa dos brasileiros com dívidas relata sentir ansiedade, vergonha e estresse. Mudanças de comportamento, como isolamento social, irritabilidade constante e alterações no sono ou no apetite, são os primeiros indícios. A pessoa pode passar a evitar atividades que antes gostava, principalmente se envolverem gastos, e demonstrar uma preocupação excessiva e persistente com contas e boletos.
Pressão psicológica: sinais de alerta para ficar atento
A angústia causada pelas dívidas costuma aparecer em frases que expressam desesperança, culpa ou vergonha. Comentários como “não vejo saída” ou “estraguei tudo” são comuns. Fisicamente, o corpo também reage. Dores de cabeça frequentes, problemas digestivos e um cansaço que não passa podem ser sintomas psicossomáticos ligados diretamente à ansiedade financeira.
Outro sinal importante é a negação. Muitas vezes, a pessoa endividada evita abrir correspondências, atender telefonemas de números desconhecidos ou falar sobre o assunto, como uma forma de se proteger do problema. Essa recusa em encarar a realidade agrava o quadro de estresse e a própria dívida.
Como abordar e oferecer apoio
A melhor maneira de ajudar é iniciar uma conversa sem julgamentos. Escolha um momento e local tranquilos e use uma abordagem cuidadosa, como: “notei que você parece preocupado ultimamente, quer conversar?”. A prioridade é ouvir e validar os sentimentos da pessoa, deixando claro que ela não está sozinha.
Oferecer ajuda prática pode ser mais eficaz do que dar conselhos. Sugira sentar junto para organizar as contas, pesquisar programas de renegociação de dívidas ou procurar orientação financeira gratuita. Pequenos gestos, como convidar para um programa que não envolva custos, também ajudam a aliviar a sensação de isolamento.
É crucial incentivar a busca por ajuda profissional. A pressão psicológica gerada por dívidas pode exigir o acompanhamento de um psicólogo. Para apoio imediato, serviços como o Centro de Valorização da Vida (CVV), disponível gratuitamente pelo telefone 188, oferecem escuta especializada e anônima 24 horas por dia. O apoio de amigos e familiares é um passo importante, mas a orientação de especialistas é o que pode, de fato, guiar a pessoa para uma solução financeira e emocionalmente sustentável.










