O que parecia uma cena de cinema aconteceu no último sábado (4 de julho), na província de Córdoba, na Argentina. Uma estudante de aviação de 22 anos conseguiu aterrissar sozinha um avião monomotor Cessna C-150 após o instrutor saltar da aeronave em pleno voo, quando estavam a cerca de 250 metros de altitude. A operação foi concluída com sucesso graças ao auxílio da torre de controle, que conduziu a jovem durante todo o procedimento de pouso por rádio. O instrutor, Leandro Bertazzo, de 42 anos, foi encontrado morto mais tarde pelas autoridades, e as circunstâncias do caso seguem sob investigação.
Como funciona o pouso por rádio
Em uma situação de emergência como essa, a prioridade é estabelecer um canal de comunicação claro e calmo. O controlador no solo assume a responsabilidade de guiar o piloto inexperiente, fornecendo instruções curtas e diretas. O diálogo é constante e focado em três pilares da aviação: altitude, velocidade e direção.
As ordens são sequenciais e fáceis de seguir. O controlador pode instruir, por exemplo, “mantenha a altitude em 2 mil pés” ou “reduza a velocidade para 90 nós”. A pessoa na cabine executa a ação e confirma pelo rádio, criando um ciclo de comando e verificação que estabiliza a aeronave e a prepara para a aproximação da pista.
Os instrumentos que salvam vidas
Apesar de o guia vir do solo, o piloto precisa se concentrar em alguns instrumentos básicos no painel. Eles funcionam como os “olhos” que confirmam se as instruções estão sendo seguidas corretamente. Os mais importantes para um pouso seguro são:
- Velocímetro: indica a velocidade da aeronave em relação ao ar. É vital para evitar que o avião perca sustentação (estol) ou se aproxime rápido demais.
- Altímetro: mostra a altitude em pés. O piloto o utiliza para seguir o plano de descida gradual ditado pelo controlador.
- Horizonte artificial: exibe a posição do avião em relação à linha do horizonte, ajudando a manter as asas niveladas, algo essencial em momentos de nervosismo.
- Indicador de rumo: funciona como uma bússola e orienta o piloto a manter a proa alinhada com o eixo da pista de pouso.
Com base nos dados lidos nesses instrumentos, o piloto informa a situação ao controlador, que por sua vez ajusta as próximas orientações. Esse trabalho em equipe continua até os momentos finais, quando o avião está a poucos metros do chão. Nesse ponto, o controlador pode dar instruções visuais, como “puxe o manche suavemente para trás”, para garantir que o toque na pista seja o mais suave possível.









