O drama de uma mãe de Uberlândia (MG) que perdeu o filho de 26 anos para o vício em apostas online acendeu um alerta nacional. O falecimento ocorreu em março de 2024, mas o caso ganhou repercussão nacional em julho de 2026 após uma reportagem da Agência Pública, evidenciando como a popularização das plataformas de jogos, as chamadas “bets”, tornou a identificação da compulsão uma preocupação real para milhares de famílias.
O vício em jogos é uma condição de saúde mental séria, mas que pode ser tratada. Observar mudanças de comportamento é o primeiro passo para ajudar alguém próximo ou a si mesmo. Identificar os sinais precocemente aumenta as chances de uma recuperação bem-sucedida.
Sinais de alerta do vício em apostas
A compulsão por jogos de azar, também conhecida como ludopatia, se manifesta por meio de padrões comportamentais e psicológicos específicos. Conheça os sete principais:
- Preocupação excessiva com o jogo: a pessoa passa a maior parte do tempo pensando em apostas, seja planejando a próxima jogada, revivendo experiências passadas ou buscando maneiras de conseguir dinheiro para continuar jogando.
- Necessidade de aumentar o valor: para sentir a mesma emoção de antes, o jogador precisa apostar quantias cada vez maiores. Pequenas apostas que antes eram satisfatórias já não geram o mesmo efeito de euforia.
- Mentiras e omissões: esconder o tempo e o dinheiro gastos com jogos é um comportamento clássico. O jogador mente para familiares, amigos e colegas para encobrir a real dimensão do seu envolvimento com as apostas.
- Tentativas frustradas de parar: a pessoa reconhece que tem um problema e tenta, sem sucesso, diminuir a frequência ou parar de jogar. A falta de controle sobre o impulso de apostar é um sintoma central do vício.
- Apostas como válvula de escape: o jogo se torna uma fuga para lidar com problemas emocionais como estresse, ansiedade ou depressão. A pessoa aposta para se sentir melhor ou para esquecer as dificuldades do cotidiano.
- Risco a relacionamentos e carreira: o vício leva ao distanciamento de pessoas importantes. O jogador pode perder o emprego, terminar um relacionamento ou se afastar da família por causa do tempo e do dinheiro dedicados às apostas.
- Medidas desesperadas por dinheiro: na fase mais grave, a pessoa pode vender bens pessoais, pedir dinheiro emprestado de forma insistente ou até cometer atos ilegais, como furtos e fraudes, apenas para financiar o hábito de jogar.
O que fazer ao identificar os sinais
Reconhecer a compulsão é o primeiro passo, mas a busca por ajuda profissional é fundamental para superar o problema. O tratamento geralmente envolve acompanhamento psicológico, com terapias focadas em dependência comportamental, e a participação em grupos de apoio, como os Jogadores Anônimos (JA).
No Brasil, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), oferecem acolhimento e tratamento gratuito para diversos tipos de dependência, incluindo a de jogos. Além disso, linhas de apoio como o Centro de Valorização da Vida (CVV), disponível pelo telefone 188, podem oferecer suporte emocional imediato.









