O alto custo do gás de cozinha continua a ser uma preocupação central para as famílias brasileiras. Em um momento de discussões sobre programas sociais como o Auxílio Gás, entender por que o botijão pesa tanto no orçamento mensal se torna ainda mais importante. A resposta está em uma combinação de fatores que vão da política de preços da Petrobras à cotação do dólar e ao cenário econômico global.
A composição do valor final que chega ao consumidor é complexa e influenciada por uma cadeia de variáveis. Mesmo que a produção do gás liquefeito de petróleo (GLP) seja majoritariamente nacional, seu preço ainda sofre forte influência do mercado internacional. Essa dinâmica afeta diretamente o poder de compra da população.
O que influencia o valor final do gás de cozinha?
Três elementos principais explicam a constante pressão sobre o preço do gás de cozinha. Compreender cada um deles ajuda a visualizar por que o valor flutua tanto e, na maioria das vezes, para cima.
O primeiro fator é a política de preços da Petrobras. Até maio de 2023, a empresa adotava o Preço de Paridade de Importação (PPI), uma regra que alinhava os preços dos combustíveis no Brasil aos do mercado internacional. Isso significava que, mesmo produzindo o GLP no país, seu valor era calculado como se fosse importado, incluindo custos de frete e taxas portuárias. Embora essa política tenha sido oficialmente encerrada, a nova estratégia da Petrobras continua a utilizar as cotações internacionais como uma referência importante, o que mantém a influência externa sobre os preços internos.
O segundo elemento é a cotação do dólar. Como o petróleo e seus derivados são negociados em dólar, a valorização da moeda americana frente ao real encarece o produto automaticamente. Mesmo que o preço do barril de petróleo caia no exterior, uma alta do dólar pode anular esse alívio e até aumentar o custo para as distribuidoras brasileiras.
Por fim, o cenário internacional desempenha um papel crucial. Conflitos geopolíticos, decisões da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) sobre a produção e a demanda global por energia criam um ambiente de instabilidade que pressiona os preços para cima.
Além desses pontos, o valor final na bomba inclui outros componentes:
- Tributos: impostos federais (PIS/Cofins) e o ICMS, um imposto estadual com alíquotas que variam entre os estados.
- Custos de distribuição e revenda: as margens de lucro das empresas distribuidoras e dos pontos de venda, que cobrem despesas com logística, armazenamento e mão de obra.
Para amenizar o impacto, o governo federal mantém o programa Auxílio Gás, que paga a famílias de baixa renda um valor equivalente ao preço médio nacional do botijão de 13 quilos. A iniciativa busca reduzir a insegurança energética em um cenário de preços elevados e voláteis.










