Com a proximidade das férias de julho, a busca por passagens aéreas se intensifica e muitos brasileiros se deparam com uma realidade frustrante: voar dentro do país custa caro. Em maio de 2026, por exemplo, o preço médio do bilhete doméstico foi de R$ 632,53. A composição do preço final é complexa, e diversos fatores, que vão dos custos operacionais das companhias à política tributária nacional, contribuem para o valor elevado pago pelo consumidor. Entender esses componentes ajuda a esclarecer por que planejar uma viagem aérea exige um orçamento robusto.
O peso do combustível
Um dos principais vilões do preço final das passagens aéreas é o querosene de aviação (QAV), que representa entre 30% e 45% dos custos operacionais das companhias. O preço do QAV é dolarizado e acompanha as variações do mercado internacional de petróleo, o que significa que qualquer alta na cotação do dólar ou do barril de petróleo impacta diretamente o valor do bilhete. O cenário de 2026, por exemplo, foi marcado por um aumento de 68,5% no combustível em maio, intensificado por tensões geopolíticas.
Além disso, o imposto sobre a circulação de mercadorias e serviços (ICMS) que incide sobre o QAV varia entre os estados, criando uma complexidade tributária que também encarece a operação das empresas aéreas.
Impostos e taxas na conta
Voar no Brasil envolve o pagamento de uma série de tributos. Além do ICMS sobre o combustível, o passageiro paga taxas de embarque, que são destinadas à manutenção e operação dos aeroportos. Há também a incidência de impostos federais sobre a receita das companhias, custos que são repassados ao consumidor.
Essa carga tributária elevada é um fator determinante que diferencia o mercado brasileiro de outros países, onde a aviação muitas vezes recebe incentivos fiscais para estimular o turismo e a economia.
Poucas empresas, muitos voos
O mercado de aviação comercial no Brasil é altamente concentrado. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que duas companhias, Latam e Gol, controlam juntas 72% das rotas domésticas. Essa baixa concorrência resulta em menos opções para o consumidor e, consequentemente, em preços menos competitivos.
A dinâmica de poucas empresas controlando a oferta de assentos permite que os preços das passagens aéreas subam consideravelmente em períodos de alta demanda, como feriados prolongados e as férias de julho, sem que haja uma alternativa mais barata viável para a maioria dos viajantes.









