A decisão do jogador Gustavo Simões e sua família de doar os órgãos de seu filho Benício, de dois anos, que faleceu recentemente, trouxe à tona a discussão sobre a doação de órgãos infantil no Brasil. O gesto, que pode salvar a vida de outras crianças, depende de um processo rigoroso e, acima de tudo, da autorização familiar em um momento de dor profunda.
No país, a doação de órgãos de menores de idade só pode ocorrer com o consentimento expresso dos pais ou responsáveis legais. Diferente dos adultos, onde a vontade expressa em vida pode ser considerada, no caso das crianças, a palavra final é sempre da família. O processo é iniciado após a confirmação da morte encefálica, um diagnóstico que precisa ser atestado por dois médicos de equipes distintas, seguindo um protocolo rígido estabelecido pelo Conselho Federal de Medicina.
Doação de órgãos: como funciona a fila de espera?
Uma vez autorizada a doação, o Sistema Nacional de Transplantes (SNT) é acionado. A central estadual de transplantes busca, em uma lista única, por receptores compatíveis. Crianças têm prioridade na fila para receber órgãos de outras crianças. Essa preferência existe porque a compatibilidade de tamanho e peso entre doador e receptor é crucial para o sucesso do transplante, especialmente em órgãos como coração e pulmão.
A compatibilidade sanguínea é o primeiro critério, seguido por características físicas e exames que medem a compatibilidade genética. A logística também é um fator determinante. Cada órgão possui um tempo máximo para ser transplantado após a retirada, conhecido como tempo de isquemia. O coração e o pulmão, por exemplo, precisam ser implantados em poucas horas, exigindo uma operação ágil de transporte.
O ato de doar os órgãos de uma criança pode transformar a vida de várias famílias. Um único doador é capaz de salvar ou melhorar a qualidade de vida de mais de oito pessoas. A conversa sobre o tema em família é fundamental, pois prepara os responsáveis para uma decisão consciente e solidária caso a situação se apresente.









