O forte terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o departamento de Chocó, no oeste da Colômbia, na segunda-feira (10), chamou a atenção não apenas pela sua força, mas também por sua longa duração. A sensação de que o tremor parecia não ter fim, relatada por moradores, tem uma explicação científica direta: a profundidade estimada entre 95 e 107 quilômetros onde o evento teve origem, conforme diferentes serviços geológicos.
O sismo ocorreu em uma zona de subducção, onde a placa tectônica de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana. Em eventos tão profundos, a energia liberada viaja como ondas sísmicas por uma camada muito maior de rocha antes de atingir a superfície. Esse longo percurso faz com que a energia se propague de maneira mais ampla.
Essa distância maior também acentua a diferença no tempo de chegada entre os tipos de ondas sísmicas. As ondas primárias (ondas P), mais rápidas, chegam primeiro, seguidas pelas ondas secundárias (ondas S), que são mais lentas e causam a maior parte da trepidação. Essa separação contribui para a percepção de um tremor mais longo e contínuo.
Uma analogia simples é o som de um trovão. Quando um raio cai muito perto, o barulho é súbito e agudo. Quando ele cai a quilômetros de distância, o som chega como um estrondo grave e prolongado. O mesmo princípio se aplica às ondas sísmicas de um terremoto profundo, que se dispersam mais antes de serem sentidas.
Impacto e alerta para réplicas
Apesar de a profundidade poder atenuar parte da energia destrutiva diretamente no epicentro, ela garante que o tremor seja sentido em uma vasta região. Cidades a centenas de quilômetros de distância registraram o abalo, o que ampliou o alcance do susto e dos danos secundários em um evento que já confirmou mais de 132 mortes.
O evento acende um alerta regional, ocorrendo poucos meses após os devastadores terremotos que atingiram a Venezuela em junho de 2026, causando mais de 5.000 mortes e aumentando a preocupação com a atividade sísmica na placa Sul-Americana.
O Serviço Geológico Colombiano, seguindo o protocolo padrão para grandes sismos, mantém o alerta para a ocorrência de réplicas nos próximos dias e semanas. Esses tremores secundários acontecem enquanto a crosta terrestre se reajusta após o choque principal. Eles representam uma ameaça real, pois podem derrubar construções já abaladas pelo primeiro sismo.
As equipes de resgate que trabalham em Chocó operam com cautela redobrada. A orientação para a população local é evitar se abrigar ou se aproximar de locais com estruturas visivelmente danificadas e seguir todas as instruções emitidas pela defesa civil.










