O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na segunda-feira, 10 de agosto, já deixou mais de 100 mortos, principalmente na região cafeeira de Risaralda. O que chamou a atenção dos especialistas foi o fato de o sismo, ocorrido em grande profundidade, ter sido sentido em cidades como Bogotá, a mais de 400 quilômetros do epicentro, e até em países vizinhos como Equador, Panamá e Venezuela. O fenômeno levanta a dúvida: por que tremores tão profundos se espalham por áreas tão vastas?
A resposta está na forma como a energia sísmica viaja pelo interior da Terra. Terremotos superficiais, que ocorrem a menos de 70 km de profundidade, liberam sua energia em camadas rochosas mais fragmentadas e heterogêneas. Essas rochas absorvem e dispersam as ondas sísmicas rapidamente, concentrando a destruição em uma área próxima ao epicentro.
Já os sismos profundos, como o que ocorreu na Colômbia, originam-se em camadas mais densas e uniformes do manto terrestre. Nesse ambiente, as ondas de energia viajam com muito mais eficiência e perdem menos força ao longo do percurso. O efeito é semelhante ao de tocar um sino: o metal denso e homogêneo permite que a vibração se propague por toda a sua estrutura, gerando um som que alcança longas distâncias.
Como as ondas sísmicas se propagam
Quando um terremoto acontece em grande profundidade, as ondas de energia se movem por essa “via expressa” subterrânea. Elas percorrem centenas de quilômetros quase sem barreiras antes de subirem para a superfície. Por isso, cidades localizadas muito longe do ponto de origem do abalo podem sentir os tremores de forma nítida.
Embora a intensidade no epicentro de um sismo profundo possa ser menor do que a de um superficial de mesma magnitude, sua capacidade de afetar uma área geográfica muito maior representa um risco significativo. Estruturas em grandes centros urbanos distantes, que não estariam em perigo durante um tremor superficial, podem sofrer danos consideráveis, como o que foi visto em edifícios e até na torre da catedral de Manizales.
No caso colombiano, a grande profundidade do evento foi o fator determinante para que a capital e outras localidades sentissem os efeitos. Além das vítimas fatais, o governo reportou dezenas de feridos e mais de 1.500 moradias danificadas, levando o presidente a decretar estado de emergência enquanto equipes de resgate continuam os trabalhos.










