O psiquiatra e escritor Augusto Cury foi oficializado como candidato à presidência da República pelo partido Avante para as eleições de 2026. Aos 67 anos, o autor de best-sellers sobre inteligência emocional estreia na política, trazendo para o centro do debate um tema até então secundário nas grandes disputas: a saúde mental.
A entrada de Cury no cenário eleitoral não é um fato isolado. Ela reflete um movimento maior de uma sociedade que, especialmente após a pandemia de covid-19, passou a discutir abertamente questões como ansiedade, depressão e esgotamento. O tema deixou de ser um tabu e se tornou uma preocupação central para muitas famílias.
Eleitores demonstram cansaço com a polarização e o discurso agressivo que dominaram os últimos ciclos eleitorais, um sentimento que a campanha de Cury busca ecoar ao defender a despolarização. A busca por propostas que abordem bem-estar e equilíbrio emocional surge como uma alternativa para uma parcela da população que não se sente representada pelos debates tradicionais de economia e segurança.
Uma resposta ao esgotamento político
Para os partidos, essa é uma oportunidade estratégica. Incorporar pautas de saúde mental e inteligência emocional nos programas de governo pode atrair um eleitorado que valoriza a empatia e a busca por soluções menos conflituosas. A candidatura de Cury capitaliza diretamente sua imagem como especialista no assunto, transformando sua carreira literária em uma plataforma política.
A expectativa é que sua campanha se concentre em propostas ligadas à educação socioemocional nas escolas, ampliação do acesso a serviços de saúde mental no sistema público e programas de prevenção ao burnout no ambiente de trabalho. Essas ideias encontram eco em um público que sente os impactos da pressão social e profissional no dia a dia.
Essa nova abordagem pode forçar outros candidatos a se posicionarem sobre o tema, tirando o foco exclusivo de pautas mais convencionais. A discussão sobre o bem-estar da população ganha, assim, um novo patamar de importância no cenário nacional, influenciando a agenda política para além das urnas.
Independentemente do resultado de sua campanha, a presença de Augusto Cury na corrida presidencial de 2026 já serve como um catalisador para que a saúde mental seja tratada como uma política de Estado, e não apenas como uma questão individual.








