A discussão sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil, impulsionada por debates no Senado, coloca em foco as experiências de países que já implementaram modelos de quatro dias úteis ou cargas horárias menores. Longe de ser uma mudança simples, a transição envolveu adaptações culturais e operacionais significativas para manter a produtividade.
As nações que testaram ou adotaram a semana de trabalho mais curta seguiram caminhos distintos, mas com um objetivo em comum: melhorar o bem-estar dos trabalhadores sem prejudicar a economia. Os resultados mostram que a chave para o sucesso está mais na organização do que na simples remoção de um dia útil.
Modelos adotados pelo mundo
No Reino Unido, um dos maiores testes globais envolveu 61 empresas e quase 3 mil funcionários durante seis meses em 2022. A conclusão foi que a produtividade se manteve e, em alguns casos, até aumentou. As empresas relataram queda no absenteísmo e aumento na retenção de talentos.
A Bélgica, por sua vez, implementou uma lei que dá ao trabalhador o direito de escolher. Os funcionários podem optar por condensar suas horas de uma semana de cinco dias em quatro, trabalhando mais a cada dia, mas garantindo um dia extra de folga. A adesão é voluntária.
A Islândia é uma referência no tema. Entre 2015 e 2019, o governo e a prefeitura de Reykjavík conduziram testes que reduziram a jornada semanal para 35 ou 36 horas, sem corte salarial. O sucesso levou sindicatos a renegociarem contratos, e hoje a maioria da população trabalha menos horas ou tem direito a fazê-lo.
Como as empresas se adaptaram?
- Reuniões mais eficientes: encontros mais curtos e focados, com pautas claras para evitar a perda de tempo. Muitas reuniões foram eliminadas ou substituídas por comunicações assíncronas.
- Foco em resultados: a avaliação de desempenho passou a ser baseada na entrega de metas, e não na quantidade de horas que o funcionário passa no escritório. A cultura do “estar ocupado” deu lugar à cultura da eficiência.
- Tecnologia como aliada: uso de softwares de gestão de tarefas e ferramentas de comunicação para automatizar processos e otimizar o trabalho em equipe, especialmente em modelos híbridos.
- Flexibilidade de horários: muitas companhias adotaram modelos que permitem aos funcionários organizar suas próprias agendas, desde que as entregas sejam cumpridas, concentrando o trabalho nos momentos de maior produtividade.










