Pesquisadores brasileiros de instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) estão transformando resíduos do agronegócio, como bagaço de cana e amido de milho, em uma nova geração de plásticos biodegradáveis. A iniciativa busca oferecer uma alternativa sustentável para reduzir a poluição e os riscos à saúde causados pelos plásticos convencionais.
O objetivo é criar materiais que, após o uso, se decomponham completamente em condições adequadas de compostagem industrial em aproximadamente 180 dias, reintegrando-se ao meio ambiente sem deixar resíduos tóxicos. É importante notar que essas condições ideais — alta temperatura, umidade e presença de microrganismos específicos — nem sempre são encontradas em ambientes naturais como aterros comuns ou oceanos. Isso representa uma mudança fundamental em relação ao plástico derivado de petróleo, que pode levar centenas de anos para se degradar.
A decomposição de plásticos comuns resultam na formação de microplásticos, pequenas partículas que contaminam solos, rios e oceanos. Esses fragmentos já foram encontrados na água que bebemos, nos alimentos e até mesmo no corpo humano, com impactos ainda em estudo pela ciência.
De que são feitos os novos plásticos?
A base da produção dos plásticos biodegradáveis brasileiros está em matérias-primas renováveis e abundantes no país. Os cientistas utilizam polímeros naturais extraídos de fontes como a mandioca, a batata e o milho, além de resíduos da indústria sucroalcooleira e de frutas.
O processo envolve a fermentação dessa biomassa por microrganismos, que produzem um tipo de poliéster natural conhecido como PLA (ácido poliláctico). Esse material tem características semelhantes às do plástico tradicional, como resistência e maleabilidade, mas com a grande vantagem de ser compostável.
As aplicações são variadas e visam substituir principalmente itens de uso único, grandes vilões da poluição. Entre os produtos que já podem ser fabricados com a tecnologia, destacam-se:
- embalagens para alimentos;
- sacolas de supermercado;
- copos e talheres descartáveis;
- filmes para uso agrícola;
- cápsulas de café.
Impacto ambiental e futuro do mercado
A adoção em larga escala desses materiais pode diminuir a pressão sobre aterros sanitários e ecossistemas marinhos. Além disso, fortalece a economia circular, pois transforma o que seria descartado pela agroindústria em um novo produto de alto valor agregado.
O principal desafio para a popularização do plástico biodegradável continua sendo o custo de produção, ainda superior ao do plástico convencional. No entanto, o avanço das pesquisas e o aumento da demanda por soluções sustentáveis indicam um caminho promissor para que essa tecnologia se torne cada vez mais competitiva e acessível.










