Material sustentável

Pesquisadores desenvolvem malha para limpar microplásticos da água

Os pesquisadores criaram "limpadores" compostos por uma malha de fibras porosas feitas de biopolímeros alginato e quitosana, derivados de algas marinhas e carapaças de crustáceos

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A invenção pode remover toda impureza tanto da água salgada quanto da doce

  -  (crédito: Adam Jennings, Universidade Estadual da Carolina do Norte)
A invenção pode remover toda impureza tanto da água salgada quanto da doce - (crédito: Adam Jennings, Universidade Estadual da Carolina do Norte)
postado em 12/08/2026 05:03

Inspirados em tapetes e aglomerados de algas marinhas que existem naturalmente, pesquisadores liderados pela Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, criaram malhas porosas e superadesivas capazes de capturar pedaços de microplástico de todos os tamanhos. A invenção pode remover esse tipo de impureza tanto da água salgada quanto da doce e é feita de biopolímeros sustentáveis e encontrados facilmente.

Segundo a pesquisa, publicada na revista Science Advances, os microplásticos são um grande problema de poluição, gerando riscos tanto para a saúde humana quanto para o meio ambiente. Uma área de particular preocupação é o impacto desse tipo de impureza nos ecossistemas aquáticos.

Apesar do empenho da ciência para retirar esses poluentes da água, as alternativas existentes não são muito eficazes. Alguns métodos conseguem capturar micropartículas maiores, com cerca de um milímetro de tamanho. Outros conseguem prender plásticos menores, com tamanho medido em micrômetros ou nanômetros. Mas apresar ambas de forma eficiente, em um único processo, tem sido um desafio.

"Nosso objetivo aqui era desenvolver uma estrutura multiescalar que nos permitisse capturar toda a gama de micropartículas de plástico", disse Orlin Velev, autor correspondente do trabalho. Segundo a publicação, os cientistas se inspiraram em tapetes flutuantes de algas marinhas e nas chamadas "bolas de Netuno", esferas de algas emaranhadas que capturam esse tipo de poluição. 

Os pesquisadores criaram "limpadores" compostos por uma malha de fibras porosas feitas de biopolímeros alginato e quitosana, derivados de algas marinhas e carapaças de crustáceos. A camada superficial consiste em coloides dendríticos macios, estruturas que se ramificam repetidamente em filamentos cada vez mais finos, terminando em uma coroa semelhante a um tufo de nanofibras. Essa estrutura permite que a invenção se fixe em praticamente qualquer superfície e capture na água micropartículas e nanopartículas de polímeros. 

"A parte da 'rede' da estrutura é uma malha capaz de capturar as micropartículas de plástico maiores, com um milímetro ou mais de tamanho. Além disso, os fios individuais da rede são 'fofos' porque são revestidos com coloides dendríticos macios, que conseguem apresar por adesão até mesmo micropartículas de plástico muito pequenas", explicou Velev.

Invenção validada

Em testes, os pesquisadores descobriram que as malhas superadesivas eram eficazes na captura de nanopartículas modelo produzidas em laboratório e microplásticos reais com diferentes tamanhos, tanto em água doce quanto em água salgada.

Além disso, após a malha ficar carregada com os poluentes, ela poderia ser recolhida e reprocessada. Uma possibilidade seria usar a digestão microbiana para decompor os microplásticos e a estrutura, biossintetizando mais material biopolímero para produzir mais redes.

"Demonstramos que este projeto funciona", diz Velev. "E os materiais que usamos são de origem natural e relativamente baratos. Portanto, pode representar um caminho viável para o futuro. Pode ser usado em larga escala? Isso depende da medida em que queremos investir na ampliação dessas abordagens de limpeza", finalizou o cientista.

 

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