A Polícia Federal prendeu temporariamente os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo em uma operação que investiga um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro no mundo do funk. Batizada de “Narco Fluxo”, a ação apura a movimentação de mais de R$ 1,6 bilhão e, segundo as investigações, possui ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação mobilizou mais de 200 policiais para cumprir 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em nove estados.
Além dos cantores, foram presos outros nomes importantes para o esquema, como o produtor Chrys Dias e Raphael Sousa Oliveira, criador da página de entretenimento Choquei. A investigação expõe uma estrutura complexa que se aproveitava da popularidade do gênero musical para movimentar grandes quantias em dinheiro. A “Narco Fluxo” é um desdobramento de operações anteriores, como a Narco Vela e a Narco Bet.
Como o esquema de lavagem de dinheiro funcionava
O mecanismo investigado pela Polícia Federal era organizado em etapas claras para disfarçar a origem de dinheiro obtido com atividades criminosas. O primeiro passo consistia em injetar os valores ilegais na produção de shows, clipes e na promoção da carreira de artistas do funk. O grupo, que contava com o operador financeiro Frank Magrini, financiava toda a estrutura, pagando por palcos, equipamentos, divulgação e cachês.
Com os eventos realizados, a receita gerada pela venda de ingressos, patrocínios e direitos de imagem era declarada como lucro legítimo. Esse dinheiro, agora com aparência legal, retornava para a organização criminosa, que o utilizava para comprar imóveis, criptomoedas e veículos de luxo — somente em carros, foram apreendidos mais de R$ 20 milhões. O ciclo de lavagem de capitais era, assim, concluído.
Para dificultar o rastreamento pelas autoridades, o esquema contava com o uso de empresas de fachada. Essas companhias, muitas vezes registradas em nome de laranjas, eram criadas especificamente para organizar os eventos e administrar as finanças, mascarando os verdadeiros beneficiários dos lucros.
O papel dos artistas na investigação
A investigação apura o nível de envolvimento dos MCs no esquema. MC Ryan SP foi preso em Bertioga, no litoral paulista, enquanto MC Poze foi detido no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro. A suspeita é que eles emprestavam sua imagem e popularidade como ferramentas essenciais para o sucesso da operação, já que shows lotados ajudavam a justificar a alta arrecadação.
O estilo de vida de ostentação, frequentemente exibido nas redes sociais com carros importados, joias e viagens, também está na mira dos investigadores. As autoridades apuram se esses bens eram adquiridos com recursos do esquema. As prisões são temporárias, uma medida para garantir que a apuração prossiga sem interferências. A operação “Narco Fluxo” segue em andamento, com o objetivo de desmantelar toda a rede financeira que sustentava a atividade criminosa.









