A Justiça Eleitoral vai usar inteligência artificial para combater a disseminação de fake news e o uso de deepfakes nas eleições gerais de 2026, marcadas para 4 de outubro. Após uma primeira aplicação nas eleições municipais de 2024, a iniciativa foi aprimorada para garantir a integridade do processo democrático que envolverá mais de 155 milhões de eleitores, buscando identificar e remover conteúdos enganosos com mais agilidade.
O plano é utilizar sistemas automatizados para monitorar o ambiente digital, como redes sociais e aplicativos de mensagens, em busca de padrões que indiquem campanhas de desinformação. A tecnologia é capaz de analisar um volume de dados muito maior do que equipes humanas, identificando a origem e a velocidade de propagação de conteúdos suspeitos. Ferramentas como o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (SIADE) também estão disponíveis para denúncias da sociedade.
Um dos principais alvos da nova estratégia são os deepfakes — vídeos ou áudios manipulados por IA para criar situações que nunca ocorreram. As montagens estão cada vez mais realistas e representam uma ameaça séria. A regulamentação do TSE, expressa na Resolução nº 23.732/2024, proíbe explicitamente o uso de deepfakes para criar ou alterar a voz ou imagem de candidatos para prejudicar ou favorecer candidaturas.
Como a tecnologia vai funcionar
O combate à desinformação será estruturado em algumas frentes principais. A primeira delas é a identificação proativa de conteúdo. Ferramentas de IA serão treinadas para reconhecer características típicas de manipulações digitais, como microexpressões faciais inconsistentes, piscadas de olhos não naturais ou falhas na sincronia labial em vídeos.
Outro pilar é a análise de comportamento em rede. Os algoritmos podem identificar a ação coordenada de perfis falsos, conhecidos como robôs, que trabalham para impulsionar artificialmente uma publicação e criar a falsa impressão de que um tema é muito popular ou que uma informação é amplamente aceita.
O trabalho será feito em colaboração com as próprias plataformas digitais, que são obrigadas a apresentar planos de conformidade. Uma vez que um conteúdo é sinalizado pelo sistema da Justiça Eleitoral como potencialmente falso ou manipulado, as empresas responsáveis pela rede social são notificadas para que possam aplicar suas políticas de uso e, se for o caso, remover o material do ar rapidamente.
A velocidade é um fator crítico. O objetivo é que a identificação e a derrubada de uma fake news ocorram em poucas horas, diminuindo drasticamente seu alcance viral. A adoção dessas ferramentas representa um passo importante na adaptação das regras eleitorais a um cenário de comunicação cada vez mais complexo e desafiador.









