Um surto de hantavirose ocorrido em maio de 2026 no cruzeiro MV Hondius acendeu um alerta entre viajantes, mas o evento é considerado inusitado por especialistas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o risco global permanece baixo. Ainda assim, o caso reforça a importância dos rigorosos protocolos de higiene e vigilância que as companhias de navegação seguem para garantir a proteção de passageiros e tripulantes, fiscalizados no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
No Brasil, foram registrados casos de hantavirose em 2026, nenhum deles relacionado ao surto no cruzeiro. A variante do vírus que circula no país é diferente da encontrada na embarcação e não possui registros de transmissão entre pessoas.
As regras sanitárias a bordo estabelecem um padrão elevado para a saúde em um ambiente que reúne muitas pessoas em um espaço compartilhado. As medidas vão muito além da limpeza visível e englobam desde a qualidade do ar e da água até o controle de pragas.
Limpeza e desinfecção constantes no cruzeiro
A rotina de higiene em um cruzeiro é intensa e contínua. Equipes de limpeza atuam 24 horas por dia, com foco especial em áreas de alto contato, como corrimãos, botões de elevadores, maçanetas e balcões de atendimento. Os produtos utilizados são desinfetantes de nível hospitalar, capazes de eliminar vírus e bactérias.
A qualidade do ar também é uma prioridade. Os navios modernos contam com sistemas de ventilação que promovem a troca constante de ar, utilizando filtros HEPA, semelhantes aos de hospitais, que capturam partículas microscópicas. A água potável e a das piscinas passam por rigorosos processos de tratamento e filtragem para garantir a segurança de todos.
Vigilância médica e controle de vetores
Toda embarcação possui um centro médico equipado para identificar e isolar rapidamente casos de doenças infecciosas. Quando um passageiro ou tripulante apresenta sintomas, é imediatamente avaliado e, se necessário, colocado em quarentena para evitar a disseminação. Os navios são obrigados a notificar as autoridades portuárias sobre qualquer surto antes de atracar.
Para prevenir doenças transmitidas por animais, como a hantavirose, os cruzeiros adotam um programa de gerenciamento de pragas. A doença é comumente transmitida pelo contato com secreções de roedores infectados. No entanto, o surto no navio envolveu a variante Andes, que permite uma rara transmissão de pessoa para pessoa, provavelmente facilitada pelo ambiente confinado. No Brasil, não há registros desse tipo de transmissão.
A colaboração dos passageiros também é incentivada, com a disponibilização de álcool em gel em todas as áreas comuns e a promoção de hábitos como a lavagem frequente das mãos. A fiscalização da Anvisa nos portos brasileiros reforça o cumprimento dessas normas, realizando inspeções para assegurar que os padrões de saúde sejam mantidos.










