A Terra atingiu o afélio em 6 de julho, o ponto de sua órbita mais distante do Sol. O evento astronômico, no entanto, veio acompanhado de desinformação. Mensagens falsas circularam em redes sociais, associando o fenômeno a uma suposta onda de frio intenso que atingiria o planeta.
Na prática, a distância da Terra em relação ao Sol tem um impacto mínimo na temperatura que sentimos. O que realmente define as estações do ano e as variações climáticas é a inclinação do eixo de rotação do nosso planeta. É por causa dessa inclinação que o Hemisfério Sul vive o inverno enquanto o Norte experimenta o verão, mesmo durante o afélio.
O episódio serve como um bom exemplo de como conceitos astronômicos podem ser distorcidos. Para esclarecer outras dúvidas comuns, listamos cinco mitos populares sobre astronomia e o clima que você precisa conhecer.
Mitos sobre astronomia e o clima
1. O afélio causa o inverno
Como já explicado, a causa das estações é a inclinação do eixo terrestre. Quando o Hemisfério Sul está inclinado para longe do Sol, recebe os raios solares de forma mais indireta, resultando em dias mais curtos e temperaturas mais baixas. Isso configura o inverno. A maior distância do Sol no afélio não tem influência significativa nesse processo.
2. Superluas provocam desastres naturais
A superlua ocorre quando a Lua cheia coincide com o perigeu, seu ponto mais próximo da Terra. Embora a maior proximidade aumente ligeiramente a força gravitacional e possa causar marés um pouco mais altas, não existe nenhuma evidência científica que associe o fenômeno a terremotos, erupções vulcânicas ou tsunamis.
3. As estações do ano duram exatamente três meses
A órbita da Terra não é um círculo perfeito, mas uma elipse. Por isso, a velocidade de translação do planeta varia. A Terra se move mais rápido quando está mais perto do Sol (periélio) e mais devagar quando está mais longe (afélio). Essa variação faz com que a duração das estações não seja idêntica. Por exemplo, no Hemisfério Norte, o verão é a estação mais longa, com cerca de 93 dias, enquanto o inverno é a mais curta, durando aproximadamente 89 dias.
4. A Estrela Polar é a mais brilhante do céu
A estrela mais brilhante que podemos ver no céu noturno é Sirius. A importância da Estrela Polar, ou Polaris, não está em seu brilho, mas em sua localização. Ela fica quase perfeitamente alinhada com o eixo de rotação da Terra, sobre o Polo Norte. Por isso, parece estar fixa no céu, servindo como um ponto de referência confiável para a navegação no Hemisfério Norte.
5. Eclipses solares produzem radiação nociva
O Sol emite radiação perigosa o tempo todo, e olhar diretamente para ele pode causar danos permanentes à visão. Durante um eclipse, a luminosidade diminui, o que pode dar a falsa sensação de segurança. No entanto, os raios ultravioleta e infravermelho continuam sendo emitidos. O perigo não é criado pelo eclipse, mas pela exposição direta ao Sol, que se torna mais tentadora durante o evento.








