O preço da gasolina que você paga no posto de combustível não é definido ao acaso. Ele reflete uma complexa cadeia de custos que começa muito antes de o produto chegar à bomba. O ponto de partida é o valor estabelecido pela Petrobras em suas refinarias, que serve como base para todo o resto.
Desde maio de 2023, a estatal abandonou a política de Preço de Paridade de Importação (PPI) e adotou uma nova estratégia comercial que busca absorver flutuações de curto prazo e equilibrar o mercado interno com as oscilações do cenário internacional, evitando defasagens que poderiam prejudicar tanto a empresa quanto o abastecimento do país. Isso significa que a Petrobras ajusta os valores periodicamente, para mais ou para menos.
Essa conta considera principalmente dois fatores externos: a cotação do barril de petróleo no mercado global, geralmente usando a referência Brent, e a taxa de câmbio, já que o petróleo é negociado em dólar. Quando o barril sobe ou a moeda americana se valoriza frente ao real, a tendência é de aumento no preço dos combustíveis.
Do refino à bomba: o que forma o preço final
O valor que a Petrobras anuncia corresponde apenas a uma parte do que o consumidor paga. Após sair da refinaria, o combustível recebe uma série de acréscimos até chegar ao seu carro. Entender essa composição ajuda a visualizar por que o preço final é sempre maior.
O cálculo do valor na bomba inclui os seguintes componentes:
- Parcela da Petrobras: é o preço de venda do combustível nas refinarias, influenciado pelos custos de produção e pelo mercado internacional.
- Impostos federais: incidem sobre o combustível o PIS/Pasep e a Cofins. A CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), que também é um tributo federal, está com a alíquota zerada desde 2023 e, portanto, não compõe o preço atual.
- Imposto estadual (ICMS): este é um dos principais componentes do preço e sua alíquota varia entre os estados, o que explica as diferenças de valores pelo Brasil.
- Custo do etanol anidro: por lei, a gasolina vendida no país deve conter uma mistura obrigatória de etanol (atualmente em 27%), cujo custo é somado ao valor final. Esse percentual pode oscilar entre 18% e 27,5% conforme decisões governamentais.
- Margens de distribuição e revenda: correspondem aos custos e lucros das empresas distribuidoras e dos postos de combustíveis.









