Alertas para a formação de ciclones extratropicais intensos, popularmente chamados de “ciclones-bomba”, têm se tornado cada vez mais comuns no Sul do Brasil. O fenômeno, caracterizado por ventos fortes e chuvas volumosas, é uma preocupação recorrente para moradores de estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina — que ainda recordam do evento devastador de junho de 2020 —, levantando a questão: por que estamos vendo isso com mais frequência?
A resposta está diretamente ligada às mudanças nos padrões climáticos globais. Esses ciclones sempre existiram, mas a frequência e a intensidade com que se formam perto da costa brasileira têm aumentado. O processo é impulsionado por uma combinação de fatores atmosféricos que agora encontram um cenário mais favorável para se desenvolver.
O que é um ‘ciclone-bomba’?
O termo “ciclone-bomba” não é um nome oficial, mas uma expressão usada para descrever um ciclone extratropical que passa por um processo de intensificação muito rápido, chamado de bombogênese. Tecnicamente, isso ocorre quando a pressão atmosférica no centro do sistema cai pelo menos 24 milibares em 24 horas.
Essa queda abrupta de pressão suga o ar ao redor para o seu centro com enorme velocidade, gerando ventos que podem facilmente ultrapassar os 100 km/h. O fenômeno geralmente se forma no encontro de uma massa de ar frio, vinda do polo, com uma massa de ar quente e úmida, vinda dos trópicos, sobre o oceano.
A ligação com as mudanças climáticas
O principal combustível para a intensificação de tempestades é o calor. Com os oceanos mais quentes, há uma maior evaporação de água para a atmosfera. Isso significa que as massas de ar quente e úmido que se chocam com o ar frio polar estão carregadas com mais energia e umidade do que no passado.
Esse “combustível extra” potencializa a formação dos ciclones, permitindo que eles se aprofundem de maneira mais rápida e violenta. Relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) já apontam que eventos climáticos extremos, incluindo ciclones e tempestades severas, estão se tornando mais comuns e intensos globalmente como resultado direto do aquecimento do planeta.
Para o Sul do Brasil, a tendência indica que a preparação para enfrentar ventos destrutivos, chuvas intensas e ressacas marítimas deve se tornar parte permanente da rotina de moradores e da Defesa Civil. A adaptação a essa nova realidade climática é um dos maiores desafios para a região nos próximos anos.






