Com a aproximação das eleições de 2026, as pesquisas de intenção de voto se tornam uma pauta constante no noticiário. Elas funcionam como um termômetro do cenário político, mas para interpretar os números corretamente, é fundamental entender como a pesquisa eleitoral é feita e o que significa seus principais conceitos, como a margem de erro e o nível de confiança.
Uma pesquisa eleitoral é, essencialmente, um retrato do momento. Ela busca representar a opinião de toda a população de um país, estado ou cidade entrevistando apenas uma pequena parcela de eleitores. Essa parcela, chamada de amostra, é cuidadosamente selecionada para espelhar as características do eleitorado total, incluindo gênero, idade, renda e localização geográfica.
Como as entrevistas são feitas?
Existem duas metodologias principais para coletar os dados. A abordagem presencial, ou “face a face”, envolve entrevistadores que vão a campo para aplicar os questionários. Já as pesquisas telefônicas são realizadas por meio de ligações para números fixos e celulares, com um sistema que seleciona os contatos aleatoriamente.
Cada método possui vantagens e desafios. A pesquisa presencial permite um controle maior sobre quem está respondendo, enquanto a telefônica alcança áreas dispersas com mais agilidade. Para serem consideradas oficiais, todas as pesquisas eleitorais devem ser registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que garante transparência sobre a metodologia e o contratante do levantamento.
A margem de erro não é um erro
Talvez o conceito mais importante seja a margem de erro. Quando um instituto diz que a margem é de dois pontos percentuais (pp), significa que o resultado de um candidato pode variar para mais ou para menos dentro dessa faixa. Por exemplo, se um candidato aparece com 30% das intenções de voto, seu resultado verdadeiro está provavelmente entre 28% e 32%.
Associado a isso está o nível de confiança, que geralmente é de 95%. Isso indica a probabilidade de que o resultado da eleição, se ocorresse hoje, estaria dentro da margem de erro. É por causa dessa variação que ocorrem os chamados empates técnicos. Isso acontece quando a diferença entre dois candidatos é menor que a margem. Por exemplo, se o candidato A tem 30% e o B tem 29%, com uma margem de 2 pp, eles estão tecnicamente empatados, pois suas faixas de intenção de voto (28% a 32% para A; 27% a 31% para B) se sobrepõem.
Por que os resultados variam entre institutos?
É comum que diferentes institutos divulguem números distintos para a mesma disputa, e isso acontece por alguns motivos principais:
- Período da coleta: pesquisas feitas em dias diferentes podem capturar mudanças na opinião pública causadas por eventos recentes.
- Metodologia usada: levantamentos telefônicos e presenciais podem produzir resultados ligeiramente diferentes devido ao perfil das pessoas alcançadas por cada método.
- Amostra: pequenas variações na composição demográfica da amostra de cada instituto também podem influenciar os números finais.
- Formulação das perguntas: a maneira como as perguntas são feitas, seja de forma espontânea (sem apresentar nomes) ou estimulada (com uma lista de candidatos), afeta diretamente as respostas.









