TRABALHO

Maior resgate do ano tira 116 pessoas de trabalho análogo à escravidão

Os trabalhadores colhiam palhas de espigas de milho no interior de Goiás

Ronayre Nunes
postado em 27/10/2021 23:39
A ação contou com a ajuda da Polícia Rodoviária Federal, da Defensoria Pública da União e do Ministério Público do Trabalho -  (crédito: Grupo Especial de Fiscalização Móvel / Divulgação)
A ação contou com a ajuda da Polícia Rodoviária Federal, da Defensoria Pública da União e do Ministério Público do Trabalho - (crédito: Grupo Especial de Fiscalização Móvel / Divulgação)

Auditores-fiscais do trabalho do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) concluíram na última quarta-feira (20/10) o resgate de 116 pessoas que estavam trabalhando em regime análogo à escravidão no interior de Goiás. Eles colhiam palha de espigas de milho para a produção de cigarros.

A origem dos trabalhadores era diversa (dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Maranhão e Piauí) e a ação das forças públicas foi extremamente complexa, já que o esquema envolvia intermediários na contratação, como explica o coordenador da operação, o auditor-fiscal do Trabalho Marcelo Campos: “A informalidade nas relações verificadas envolvendo a empregadora, uma empresa produtora de cigarros de palha e cinco intermediadores ilegais de mão de obra criou uma realidade que envolvia três turmas distintas de trabalhadores. Além disso, impressionou o fato de que nenhum direito trabalhista era garantido às vítimas e ainda cinco crianças e adolescentes foram inseridos na atividade laboral”.

A ação contou com a ajuda da Polícia Rodoviária Federal, da Defensoria Pública da União e do Ministério Público do Trabalho.

Situação extrema

Segundo informações do Ministério do Trabalho e Previdência, os trabalhadores recebiam R$ 5 por quilo de palha colhida e tinham descontos de valores referentes ao uso de ferramentas de trabalho, além da vestimenta. O alojamento dos homens não tinha condições básicas de higiene e em alguns casos era preciso montar barracas para se proteger das chuvas. “Muitos trabalhadores relataram trabalhar com fome e temendo ter um mal súbito”, informou Marcelo Campos.

Resposta

A empresa apontada pelo GEFM como envolvida no esquema é a fabricante de cigarros Souza Paiol. José Haroldo de Vasconcelos, dono da empresa, falou a agência de notícias Repórter Brasil sobre a ação. Segundo o empresário, a responsabilidade sobre os trabalhadores não é da Souza Paiol, já que os serviços dos homens seriam terceirizados: “Eles vendem palha para mim como vendem para outras fábricas de cigarro de palha (...) A responsabilidade é de quem contrata essas pessoas”.

Vale lembrar que denúncias de trabalho escravo podem ser feitas de forma remota e sigilosa no Sistema Ipê, pelo link ipe.sit.trabalho.gov.br 

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